quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Papel, Consumo e Trabalho Escravo

Em abril deste ano o Ministério Público do Trabalho do RS encontrou, em  cidades gaúchas, trabalhadores em situação de trabalho escravo em cidades do Rio Grande do Sul. As empresas, que não foram nominadas pelo MPT lidam basicamente com extração de tanino da Acácia Negra, corte e descasque de Eucalipto e produção de carvão.
Passados quase 7 meses do anúncio da força-tarefa que flagrou mais de 400 trabalhadores que não recebiam os dias de chuva, dormiam e comiam próximos a botijões de gás, bebiam água não potável, não possuíam equipamento de proteção individual adequado, nem carteira de trabalho, nem banheiros, etc., fui buscar no site do MP notícias sobre o resultado da ação.
Nada.
Como na matéria apresentada o nome das empresas irregulares não foram divulgadas, mas apenas as cidades(Montenegro, Estância Velha, Venâncio Aires, Butiá), fica mais difícil buscar informações.
As grandes plantadoras de acácia negra, pinus e eucalipto, já há tempos denunciadas, parecem estar sendo menos lembradas. Mas os agricultores expulsos de seus minifúndios, que hoje em vez de alimentos produzem papel, como estão? A extensão das áreas plantadas cultivadas para a produção e papel diminuiu? Não, apesar da violenta crise econômica nos EUA e Europa demandarem menos papel. E um papel que era e é, ainda, usado com desperdício, para embalagens. Proporcionalmente, o povo lá de cima usa doze vezes mais papel do que é usado pelo Brasil.  Nem mesmo a pesada crise que produz a cada dia mais miseráveis, o consumo e o desperdício ainda é visto pelo capital como saída para a superação.
O Brasil recicla perto de 40% de todo o papel que utiliza. É o quarto país produtor de celulose, mas o 12º em produção de papel. Isto significa que tratamos, limpamos, cloramos e exportamos matéria prima para que outros países a industrializem. Fica conosco a poluição, o cloro nas águas, o desmatamento, a expulsão do homem do campo para as periferias das grandes cidades.
Aos defensores do desenvolvimentismo a qualquer custo, parece natural. Até mesmo o trabalho escravo, que  se bem procurado é encontrado pelo RS e Brasil afora, geralmente ligado ao desmatamento, ao agronegócio, e aos grandes produtores de celulose.


 A propósito, seria interessante que o MPT publicasse o resultado dos TACs (termos de ajuste de conduta) apresentados por estas empresas. Que fossem divulgados os pedidos de licenciamento para o plantio destas culturas. E que as força-tarefas, em áreas tomadas pelo latifúndio, continuassem.
Valeu, amigo Vítor, a lembrança da força-tarefa do MP.

*Com dados do site do Ministério Público do Trabalho do Rs

domingo, 25 de setembro de 2011

SUS: Temos muito a conhecer!

Não costumo postar textos que não meus. Mas o link  que deixo para ser visitado hoje é fundamental para entendermos o SUS. Recebi, a respeito de uma postagem sobre o tema, e-mails (não sei porque as pessoas preferem comentar via e-mail do que postar comentários no blog) e opiniões sobre o assunto.
Na verdade, não entendemos o motivo das filas, da demora em determinados atendimentos.
Quem precisa de atendimento não ode esperar. Mas a quem interessa  que o atendimento continue com problemas? Por que nunca assistimos matérias sobre o que dá certo na saúde pública?
Compramos o que a mídia nos vende sobre o SUS, sem levar em conta a pressão pela adesão aos planos privados, que anuncia e financia rádios, TVs e jornais.
O atendimento do SUS pode e deve melhorar.
Deixo o link das excelentes matérias da Carta Maior sobre o assunto:
https://mail.google.com/mail/#inbox/132972bab2de9ead

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Musica (palestina) para o sábado

A música de hoje é do grupo palestino DAM, que denuncia a violência cometida contra este povo. Vale a pena assistir!
Videoclipe do grupo de rap palestino DAM, que quer dizer: eternidade (em árabe), e também: sangue (em hebreu). São também as iniciais de: Da Arabian MC's. Formado pelos irmãos Tamer Nafar e Suhell Nafar, mais Mahmoud Jreri.
O DAM é o primeiro grupo de rap da Palestina. Combinando ritmos árabes, melodias do Oriente Médio e influências do hip hop urbano, eles se reuniram em 1998, já lançaram três álbuns: Stop Selling Drugs (1998), Who's the Terrorist? (2001) e Dedication (2006).
Todos os três integrantes nasceram e cresceram em bairros pobres de Lod, cidade essa que misturam árabes e judeus, a 20 km de Jerusalém.
Exprimindo-se em árabe e hebreu, por vezes também em inglês, o grupo aborda temas influenciados pelo contínuo conflito entre israelitas e palestinos, bem como também a luta pela liberdade e igualdade dos palestinos, além de chamar a atenção também de temas controversos como o terrorismo, as drogas e os direitos das mulheres.
Musicalmente suas inspirações são: (Nas, 2Pac, Mos Def, IAM, NTM, Saian Supa Crew, MBS, etc) e da música árabe: (Marcel Khalifa, Kazem Saher, George Wassouf, Majda al Romi, etc).
Mais próximos das audiências palestinas, o DAM espera alargar a sua mensagem aos israelitas, abordando de forma fria e desencantada os dramas da convivência entre israelitas e palestinos.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Palestina já!


Companheiras e companheiros: 
No mundo todo, pessoas comprometidas com a justiça e a dignidade estão nas ruas, exigindo o reconhecimento do Estado da Palestina e o direito a um assento palestino no Conselho de Segurança da ONU.
O Brasil tem posição, e é a favor do reconhecimento da Palestina como nação. 
A fala da Presidenta Dilma Roussef na ONU foi clara: Somente a criação do Estado Palestino trará paz à região.
O discurso na Onu do Presidente da Palestina será amanhã (23/09/2011) às 12:30h (Nova YorK), 11:30h no Brasil.
O Rio Grande do Sul estará na rua, saudando o Estado da Palestina
Concentração  Largo Glênio Peres
Horário: 10:30h           

Data: 23/09/2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dilma na ONU: Palestina Já!

"Assim como a maioria dos países nesta assembléia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional".
Estas foram as palavras de nossa presidenta, primeira mulher a discursar em uma assembléia da ONU. Contestada pelo presidente do falido e arrogante EUA, Dilma defendeu, com coerência, a necessidade e o direito dos palestinos ao reconhecimento de sua pátria.
Fez mais: reivindicou, com coerência, um assento permanente para o Conselho de Segurança da ONU para o Brasil. Lembrou que a legitimidade do Conselho depende de reformas, e que a falta de representatividade corrói a legitimidade do órgão.
Obama, defendendo os interesses do neoliberalismo, declarou: "A paz não vem com resoluções das Nações Unidas e o impasse entre israelenses e palestinos quando um se colocar no lugar do outro". Como se a paz em países invadidos pelos EUA pudessem ser resolvidos por entendimento. E, claro, sequer tocou nas polpudas ajudas dos EUA para o Estado de Israel, nem sobre o fato deste país servir como base militar para os estadunidenses no Oriente Médio.
Dilma fez mais: lamentou não poder saudar o Estado da Palestina como membro da ONU.
Grande discurso, presidenta. Mesmo o Brasil, historicamente, se posicionado a favor do Estado da Palestina, nunca outro brasileiro havia se posicionado, tão incisivamente, na ONU. Parabéns.
Por aqui, continuamos a chamar o ato de 23 de setembro, Largo Glênio Peres, 10h30min. Todos e todas que defendem a liberdade, o fim do sangrento conflito na região, certamente estarão presentes.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O mundo mobilizado pró-Estado Palestino

Em todo o país, de 20 a 23 de setembro manifestantes pró Palestina realizarão atos e manifestações para pressionar os EUA a não apresentar veto ao pedido de participação desta nação no Conselho de Segurança da ONU, passo importantíssimo para o estabelecimento legal do Estado Palestina.
A reunião do Conselho de Segurança da ONU que inicia dia 21 de setembro, e o pedido será apresentado na sexta, 23.
Cerca de 120 nações da África, Ásia, Oriente Médio e América Latina já declararam ser favoráveis ao ingresso da nação palestina no conselho. Raivosamente contra, os EUA e sua base militar, Israel tentam convencer os países da Europa a aderirem à proposta.
FMI, ONU e Banco Mundial já declararam apoio ao reconhecimento do Estado Palestino. Mais de 40 anos se passaram desde a criação do Estado de Israel, que colocou em diáspora milhares de palestinos, expulsando-os de suas casas. Os limites tratados em 48 não foram respeitados, e a cada dia mais assentamentos de colonos judeus são criados, invadindo as terras palestinas. A violência na região é constante e não poupa ninguém. Acampamentos de refugiados em péssimas condições abrigam os expulsos de suas casas e terras. Para transitar na região os palestinos são obrigados a passar por Check-ins truculentos e desrespeitosos. 
O ingresso da Palestina depende de nove votos favoráveis e nenhum veto dos cinco "permanentes": EUA, França, Reino Unido, Rússia e China. Os países não permanentes são: Líbano, Colômbia, Nigéria, Gabão, Portugal, África do Sul, Bósnia e Herzegovina, Brasil, Índia e Alemanha.
Caso a proposta alcance os nove votos e não receba vetos, será submetida ao plenário de 192 membros, e deverá ser aprovada por dois terços da Assembléia Geral.
Em Porto Alegre a FEPAL - Federação Árabe-Palestina do Brasil está chamando a todas e todos os engajados no fim do genocídio do povo palestino para concentração e ato político na sexta, dia 23, as 10 horas da manhã, no largo Glênio Peres.

Pelo imediato reconhecimento do Estado da Palestina!
Pela devolução das terras invadidas por Israel!
Pelo fim da ingerência neoliberal nos países árabes!
Em defesa da autonomia e soberania dos povos!
Palestina Livre já!
Sexta 23, 10h30, Largo Glênio Peres!





sábado, 17 de setembro de 2011

Musica para o sábado

Obra-prima de Arrigo Barnabé. Com a crescente precarização do trabalho, reler Clara Crocodilo dá o que pensar...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Negros: Devemos tanto a este povo!

Certa vez promovi uma discussão sobre negritude no SEMAPI, justamente em 13 de maio. Convidados o geógrafo Geovani Machado, militante da UNEGRO, e Carlos Santos, militante do movimento nego do, se bem lembro, PP.alho, sem indenização, sem 
Escolhi 13 de maio por pensar que comemorar esta data é comemorar a saída do negro da senzala e sua ida para a favela, na época para os morros, descampados, sem indenização, sem sem trabalho nem qualificação. 
Cada vez que vejo um nego deitado na rua, sem teto, sem auto-estima, penso em como teria sido sua vida se seus antepassados não tivessem sido roubados de sua terra, seviciados, humilhados e forçados a construir a riqueza do Brasil, riqueza que eles nunca puderam usufruir. Era a revolução industrial chegando, necessitando de consumidores para o capitalismo nascente. Por isto a Inglaterra, antes maior traficante de escravos, resolveu combater o tráfico. Os imigrantes trazidos para substituir o braço negro na lavoura receberam menos do que o prometido, mas infinitamente mais do que os negros. E eram livres. Inclusive para consumir, condição indispensável ao estabelecimento do mercado.
Relembro este debate por uma questão simples. O representante do PP declarou-se radicalmente contra cotas, em todos os níveis e setores. E como argumento citou a si próprio, que por "força de vontade" conseguiu estudar, avançar, etc. Estarrecedor, um negro remando contra as poucas chances de outros negros alcançarem o que deveriam ter por direito: Chance. E que não me venham com o discursinho surrado de que cotas devem ser para pobres. De cada dez miseráveis, oito são negros. Cada quatro adolescentes assassinados em função do tráfico, três são negros. E por aí vai. Aqui, e em muitos outros lugares, miséria tem cor.
É batido, mas vale repetir: Oportunidades desiguais, condições desiguais.
Trago este assunto em função do processo congressual da UNEGRO, já em andamento. Sou branca, descendente de árabes (pai), índio e português (mãe), e participo das atividades da UNEGRO, já há algum tempo. Com muito orgulho.
Tenho certeza que os problemas da população negra não são só deles, são nossos. Qualquer um de nós que queira e lute por um mundo justo, igualitário, pelo fim da barbárie capitalista deve se engajar nesta luta. Cada um com sua disponibilidade, respeitando suas prioridades. Mas lutando pelo fim do racismo, que aliás, serve muito bem ao capitalismo, como todas as outras opressões.
Então convido e a todas e todos que lutam por um mundo melhor a participarem da reunião da UNEGRO do dia 23, no SINDSEPE, rua Otávio Rocha 161/81, às 18h30.
A propósito, a UNEGRO é uma entidade apartidária, pluri-religiosa e supra-racial.
Eu, certamente chegarei atrasada em função do horário de trabalho. Mas estarei lá!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O SUS segundo a Globo

Sempre que posso (ou tenho paciência) assisto alguns programas da globo. Hoje esperei pelo "profissão repórter" para ouvir o que seria dito a respeito do SUS. A reportagem, é óbvio, mostrou pessoas insatisfeitas, mal-atendidas, recebendo um tratamento indigno e desumano. Falta de vagas, de equipamentos, desatenção dos  trabalhadores, enfim, o SUS foi mostrado como o pior serviço de saúde existente.
Já utilizei e utilizo o SUS. Já paguei, e hoje me recuso a pagar, um plano de saúde. O mais caro dos oferecidos em convênio com minha Associação de Funcionários. Parei de pagar quando, num dos melhores hospitais de Porto Alegre, tive um diagnóstico de "gases", e na verdade desenvolvia uma pielonefrite, perigosa infecção renal, que me hospitalizou por uma semana. O diagnóstico correto foi dado justamente num serviço de pronto-atendimento do SUS, com a infecção piorada por medicamentos ineficazes e dias sem tratamento.
Concordo que o SUS tem muitos problemas. Tem falta de trabalhadores, tem médicos que são contratados para trabalhar 40 horas e trabalham 30, os que tem contrato para trinta trabalham 20, e qualquer tentativa de mexer com isto vira guerra e greve. Concordo que existem filas, falta de vagas, que determinadas especialidades custam tempo para prestar atendimento. Que por vezes, trabelhadores espremidos por jornadas estendidas e baixos salários não são exatamente gentis. E que isto deve ser cobrado, deles, dos gestores, dos governantes.
O programa denuncia a falta de médicos no interior. Mas não pergunta quantos médicos se dispõem a sair da capital e trabalhar em pequenas cidades. Nem cobra a necessidade de aumentar os programas preventivos, de traçar planos que muito além de tratar a doença, promovam a saúde.
O programa da globo, como era de esperar, não mostram que o Brasil é um dos únicos países do mundo que possui um sistema de saúde universal. Que nos países ditos de primeiro mundo a saúde é paga ou não existe. Ou alguém já ouviu falar de saúde gratuita nos EUA, na Europa? Não, nem pode. Saúde nos "desenvolvidos" é toda privatizada.
Que, afinal de contas, pelo que mostra a reportagem, seria a solução. Afinal, os planos de saúde estão aí mesmo, com seus consultórios de poltronas estofadas, faturando alto. O SUS acaba sendo mostrado como coisa de pobre, de quem não tem como pagar um plano, de quem não dá valor à vida. Ter plano dá status, mesmo que os mesmos médicos que atendam nos planos trabalhem também para o SUS. Bem, se a consulta no consultório recebe mais atenção nossa obrigação é de cobrar, deste profissional, o respeito ao paciente atendido e um comportamento ético. Se vai demorar para mudar esta mentalidade? Pois quanto mais protelarmos estas ações, mais custará a acontecer.
Não se fala nisto, mas a cada paciente atendido em hospitais privados pelos planos de saúde, boa parte do atendimento é cobrado do... SUS! Medicamentos, procedimentos não previstos pelos planos...
O SUS tem problemas.O atendimento, por vezes, demora. Mas apenas criticar e mostrar mazelas não ajuda em nada resolver os problemas. Conselhos de usuários, pressão nos governantes por mais investimentos, aumento do quadro de trabalhadores, salários dignos, estas são as providências necessárias. E pressão por parte dos usuários, não nos trabalhadores, mas nos gestores e nas políticas de atendimento.
Concluindo, estranhei que no final do programa global não tenha sido exibido um comercial de algum dos tantos planos de saúde que são mostrados como o ideal de atendimento. Mas logo em seguida, no primeiro intervalo do programa seguinte, lógico, apareceu.


sábado, 10 de setembro de 2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Trabalhador da FASE sofre risco de vida em resgate de infrator.

A morte passou perto, muito perto, de três trabalhadores da Fase (Fundação de Atendimento Sócio-Educativo) na última sexta-feira, dia 02 de setembro, aqui em Porto Alegre. Uma técnica em enfermagem, um educador que fazia as vezes de motorista e outro educador conduziam um adolescente internado em uma das unidades da Fundação. Carro: Uma antiga Kombi. Coletes a prova de balas: Nenhum. Escolta policial: Não. Armas: Os trabalhadores da FASE não tem permissão para usar. 
O adolescente em questão foi resgatado por uma moto em um carro, que interceptaram a velha Kombi, sem nenhum equipamento protetivo para a finalidade. Um dos trabalhadores, obrigado a descer do veículo, foi espancado, teve os pés esmagados pela moto, sofreu escoriações generalizadas, mas sobreviveu. Os outros dois, sob a mira de armas, nada puderam fazer.

Silêncio por quê?
Não foi a primeira vez que este tipo de resgate ocorre com adolescentes infratores em deslocamento. Na gestão passada este tipo de informações eram terminantemente proibidas de divulgação, sob pena de graves sansões aos trabalhadores que resolvessem publicizá-las.
Quando soube do fato, resolvi procurar na imprensa alguma informação. Nada. A imprensa ou não soube do fato, ou não deu importância. Sites: Nada. Google: Apenas textos de antigos resgates, por ironia, escritos por mim anos atrás.
Silêncio dos trabalhadores e nada de informações, resolvi ligar aos colegas da Custódia. Fulano? Não, Este? Não, Aquele? Não. O Núcleo específico de Custódia, que antes conduzia adolescentes e educadores, que antes dispunham de mais de vinte trabalhadores, hoje conta com seis. E ninguém quer falar. Mas a quase dissolução do núcleo, com envio dos trabalhadores para outras unidades aconteceu este ano, de forma intempestiva. Foram avisados numa quinta-feira que na sexta haveria uma reunião, e na segunda já estavam transferidos.

A mudança de tipologia, herança neoliberal
Lembrei que uma das reivindicações que estão sendo negociadas trata justamente de equipamentos para esta finalidade. O núcleo de custódia dispõe, há tempos, de quatro ou cinco coletes à prova de balas, doados pela BM, em péssimo estado. Os carros são antigos, alguns do ano 2.000, sem a necessária manutenção.
Além disto, não é levada em consideração de que a tipologia dos adolescentes atendidos hoje foi agravada. Como a criminalidade em geral, a cultura da violência gerada pelo neoliberalismo, o crack. Os adolescentes autores de atos infracionais estão envolvidos em crimes mais sérios, sofrem crises de abstinência dentro das unidades. São cada vez mais adolescentes, que já vem da convivência com adultos infratores, com as leis do tráfico. E cada vez mais trabalhadores, coagidos a estender sua jornada de trabalho para garantir a já pouca segurança de colegas e adolescentes.
Aqui o link de um texto que escrevi em 2008:
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=38736&id_secao=9
A superlotação continua, e o tão esperado concurso público deu lugar, cerca de dois meses atrás, a uma contratação emergencial. No início do ano várias medidas foram anunciadas, mas até agora nada foi concretizado.


Trabalho essencial, mas não reconhecido
Então lembrei dos anos que trabalhei na área infracional, e depois, durante o desmonte da antiga FEBEM, de minha opção pela FPERGS. Que com todos os seus problemas, mesmo tendo sido objeto de barganha política, com sua também superlotação, ainda sem o esperado concurso público, ainda é menos arriscada do que a FASE. Certo, a FPERGS eventualmente recebe egressos da FASE, mas acertei na opção.
Mas e quem ficou, e continua esperando por soluções, por condições de trabalho, pelo reconhecimento de seu esforço? Bem, estes... continuam esperando.
Não consegui falar com o colega agredido, mas espero que recupere-se rápido. Já sofri agressão física trabalhando, em 97, no antigo ICS, e sei que maior do que a dor no corpo é a angústia de saber que no retorno tudo continuará igual,. E que ontem fui eu, hoje é este, e que inclusive mortes já aconteceram neste trabalho por falta de condições, ou de vontade política, ou descaso com nossas reivindicações.
O que eu não esperava era a continuidade do silêncio e do "nada houve",  tão denunciado há tempos atrás.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Depois das mulheres das cervejas, as garotas do refrigerante


Pague uma, leve duas, diz o comercial da Pepsi que acabei de assistir. Uma lata, duas latas, uma garrafa, duas garrafas. Até aí, tudo normal. Até os últimos segundos, quando o ator declara, orgulhoso, sua sorte: Fez o comercial com uma loira, e levará duas. Final: Duas mulheres simulando nado sincronizado em uma banheira, e o rapaz, óbvio, deliciado com a imagem e o que insinua, virá depois.
Não bastassem as louras geladas, as devassas, as boas, agora também os refrigerantes deixam os apelos subliminares para explicitar a atual mulher-coisa, sem identidade nem personalidade. Uma coisa a ser comprada, só.
Quando eu era adolescente e ouvia falar em "mulher objeto" tinha uma vaga ideia da coisa. Tipo aqueles calendários de borracharia. Sempre me vinha à ideia um poster de uma modelo, chamada Marina Montini, uma negra lindíssima, retratada por Di Cavalcanti, que fotografou vários calendários de motores, pneus, etc. Ou aqueles comerciais da época, quando as mulheres apenas enfeitavam o que quer que estivesse à venda. 
Além de Marina, a Ipirela, boneca em desenho animado que deitava-se sobre os carros que usavam gasolina Ipiranga, e que era quase um escândalo, tamanha a popularidade entre meninos e adolescentes (acho que entre adultos também).
E de um cartaz da Coca-Cola que foi retirado de circulação, virou raridade disputada, mas que vendia muito mais do que a bebida o corpo belo e esguio, bem  desenhado e  totalmente nu, em épocas de moral, bons costumes e hipocrisia.
Claro, não pode faltar a mais famosa de todas as pin's: Marilyn Monroe, de triste morte e pior vida.
Pois assistindo o comercial da Pepsi-Cola lembrei de todas as mulheres, desenhadas ou não, que continuam a vender seja o que for, muito mais seus corpos e dignidade do que pensam anunciar.
Pois décadas passadas, leis de proteção à mulher, onde teoricamente a propaganda auto-regula sua ética, lá estão elas. Cada vez mais jovens, cada vez mais efêmeras, vendendo a si mesmas a ilusão de sucesso e vulgarizando a todas nós, que não queremos nos vender.
A propósito, não divulgarei o comercial. Não quero dar IBOPE (ou seja lá como se chama audiência agora) para a Pepsi. E sugiro que, mesmo que seja tentador, para quem toma refrigerante, comprar um e levar dois: Boicote à promoção.
Finalmente lembro que as magérrimas modelos não poderiam, mesmo que gostem, tomar refrigerantes. Que, afinal de contas, não servem para nada a não ser aumentar seu peso e diminuir seu valor comercial.



domingo, 4 de setembro de 2011

Nós, Trabalhadores e o Governo Tarso

O que fazer quando a internet simplesmente se recusa a funcionar? Bem, fios recolocados no lugar, aqui vamos nós. Pior: depois do ridículo empate de meu time. Ninguém merece.
Na verdade, deveria ter escrito este post na sexta-feira. Depois de mais uma manhã de negociações com a mesa do governo, enquanto esperávamos na rua, com a orientação de parecer educados. Coisa que não sou quando mexem no meu bolso, quando não tenho condições de trabalho, quando não posso falar para ser ouvida.
Certo: Falei tanto, TANTO no governo passado que levei, como lembrança de minha passagem pela direção do SEMAPI um processo da ex-governadora. Não só eu, muitos, alguns mais do que um inclusive. Mas não adianta,  governo e feijão, só na pressão. E muita pressão. 
Certo que o Governo Tarso, que a maioria de nossa categoria ajudou a eleger-se no primeiro turno é diferente do desgoverno Yeda. Não existe mais a guarita em frente ao palácio. E quero crer que nenhum motorista de carro de som será preso por estar trabalhando em algum ato público. Bom, aí seria o fim. Mas a engenharia política que fez minha e outras Fundações continuarem nas mãos dos mesmos gestores, a demora em atender reivindicações, a continuidade das más ou péssimas condições de trabalho, como avaliar?
Voltando à negociação:  
Finalmente, proposta de índice: 6.44%, ou seja, a inflação. Fracionada em três parcelas, novembro, abril e maio. Penso sinceramente que alguém deveria lembrar ao governo que esta inflação já aconteceu, já perdemos este poder aquisitivo. Detalhe: Por enquanto, não se fala em retroatividade. 
O auxílio-creche ou babá, R$ 248,63, é razoável. Mas para uma categoria com idade média acima de 40 anos, poderia ser estendido aos avós. Não é piada, gente, muitas de nossas Fundações não fazem concurso há mais de dez, quinze anos.
O auxílio transporte em dinheiro para Fase, FZB e FPE (reivindicação antiga do Zoológico, FASE NH e FPE Taquari, vem em boa hora. Ponto para os negociadores.
Enquanto a pauta era discutida, conversei com representantes de base que de muito participam da luta. E isto é importante resssaltar: Não se trata da esquerdália enlouquecida nem da direita empedernida. São e somos os mesmos que enfrentaram o Governo Olívio, Rigotto, Yeda. Porque para  nós, independente da matiz partidária, existem os compromissos com a categoria que representamos, existem as más condições de trabalho que não se resolvem, e principalmente, porque qualquer governo, mesmo aquele que ajudamos a eleger, passa a ser nosso patrão. Patrões com posturas, ideologias e manejos diferentes, mas patrões.
Então, senhor governador, nós, que fazemos este Estado funcionar, nós que atendemos principalmente aqueles setores mais precarizados, que lidamos com os abandonados, os infratores, os pequenos produtores, com a tecnologia, com o meio ambiente, queremos a valorização que nos garantiste durante a campanha eleitoral. Amnésia, agora, não. Queremos concurso público já para as Fundações não fenecerem junto com nossa esperança, queremos condições de trabalho, queremos salário digno. E somos, sim, esquerda. Sérios, preocupados em realizar bem nosso trabalho, em reconstruir o Estado tão dilapidado por quem não teve respeito nem por nós, pelo povo nem por nosso Rio Grande.
A foto que posto hoje é de uma das muitas mobilizações que construímos. E que repetiremos, com certeza, se acharmos necessário. E talvez com mais força e intensidade; Afinal, com Rigotto e Yeda, brigávamos com nossos inimigos de classe. E se o elegermos, Governador, foi para ter certeza que livramos a nós, nosso povo e nosso Rio Grande do Sul das barbáries neoliberais.
Até a próxima rodada de negociações!