terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Uma fala de Sávio Loguércio



Recebi de uma grande mulher um dos poucos textos a que tive acesso de um grande homem que por algum tempo fez parte de minha vida.
Infelizmente, não contamos com sua presença. Mas a cada momento, a cada gesto impensado, a cada texto lido, lá está ele, com toda a bagagem   que sempre fez questão de compartilhar com quem queria aprender.
Uma estrela que brilha em nossas mentes, cometa afetuoso de nossas vidas, de alguma sorte deve estar sorrindo, com aquele holywood entre os dedos, o verde do olho iluminando o desejo que nos leva a desejar e lutar por um mundo melhor.




Pois É...                                                                                                                                        
Perdi grandes amigos, por morte ou por mudança (de rumos ou de lugares)                                                      
Perdi amores.                                                      
Perdi anos com coisas que não valiam a pena                  
Perdi a confiança em várias pessoas, principalmente em mim   mesmo.                                                     
Perdi o afeto por muitas coisas que me eram caras          
Depois de ver morrer tantas coisas perto e dentro de mim 
Consegui entender realmente porque "a esperança é a última   que morre".
                                                       
                  
(Luiz Sávio Vieira Loguercio) 

domingo, 19 de dezembro de 2010

Os filhos do Crack

Casualmente ontem li uma coluna que habitualmente não faz parte de minhas leituras: A de Paulo Santana.
Chamou atenção quando passeei os olhos pela página a sigla GHC. E li-a toda, com satisfação de ver um trabalho valioso, desgastante e necessário,  o acolhimento dos usuários de crack.
Falo em crack e não em outras drogas por saber os efeitos variados, as consequências de umas e outras. Já atendi, quando monitora do que hoje é a FASE adolescentes que mataram para comprar cocaína, assim como conheci pessoas que fazem uso, digamos, recreativo desta droga, se é que é possível. Nunca recebi alguém que tenha praaticado massacres para comprar um cigarro de maconha. O álcool, dependendo de outros componentes da psiquê humana, causa estragos que podem conduzir à morte, Idem o cigarro (logo eu, recentemente ex-fumante). Urge discutirmos uma política para drogas, mas sem a carga moral que normalmente acompanha a dependência química, o alcoolismo, o uso de medicações como contenção química, como panacéia para aliviar angústias e modificar comportamentos.
Mas não esta droga. A letalidade do crack me convence de sua função de extermínio da juventude pobre.
O crack tem outras conotações, tem outras finalidades. O crack mexe com o prazer de uma forma que outras drogas não conseguem. Por crack famílias se destroem, se matam. Traficantes de crack, se usuários, são candidatos à morte em curtíssimo prazo. 
Mas as maiores vítimas não são as familias, os usuários que morrem, os roubados pelo vício.
São os bebês de crack.
Que são abandonados nas maternidades logo nas primeiras horas de vida, que sofrem convulsões pela abstinência, que além do abandono tem que conviver com a ansiedade de não saber de onde vem aquele desespero que os faz chorar, sentir fome, pedir colo, pedir água, querer o que puderem aliviar a falta da droga que recebiam via placenta materna.
Bebês feios ou bonitos, mas que não se desenvolvem normalmente. Bebês de um ano que ainda não engatinham, que sequer firmam o pescocinho, que nem de perto lembram o desenvolvimento costumeiro de crianças. Bebês no fim da fila e de chances de adoção.
Por isto, parabéns, GHC. Parabéns, Néio Lúcio. Mas, se metida que sou, puder dar um palpite, dou.
Que estas gestantes tenham a prioridade do atendimento. E que estas crianças recebam o maior cuidado, o maior carinho, que se busquem alternativas. Porque fumar crack, com toda a explicação das mazelas sociais, acaba sendo uma contingência ou opção para a mãe. Mas bebês não fazem esta opção.
Imagem:http://anjoseguerreiros.blogspot.com/2009_

Chaga social: 767 mulheres são agredidas por dia no Brasil

Embora se possa comemorar, com razão, o largo conhecimento alcançado pela Lei Maria da Penha, que pune a violência contra a mulher, há ainda muito a fazer neste campo onde a situação continua calamitosa, como mostram dados do PNAD divulgados hoje pelo IBGE.

A pesquisa relata que cerca de 2,5 milhões de pessoas com mais de 10 anos de idade sofreram algum tipo de agressão em 2009. Destas, 40% eram mulheres (cerca de 1.081.000). O que chama a atenção é que um terço delas foram agredidas por parentes, companheiros ou ex, que foram responsáveis por mais de um quarto do total de agressões (25,9% ou cerca de 280 mil).

Isso significa que a cada dois minutos ocorre uma agressão contra a mulher no Brasil (são, em média, 767 por dia, 32 por hora ou uma a cada 30 segundos). Outro dado reforça a natureza doméstica da agressão contra a mulher: mais de um quarto delas (25,4%) ocorrem dentro da própria residência.

Mais da metade dos agredidos não procurou ajuda policial para se defender e certamente a maioria destes, pode-se imaginar, são mulheres. Um em cada cinco porque não considerou importante; um número maior (um em cada três) por temer represálias ou não querer envolver a polícia.

O dado a comemorar foi revelado por outro estudo, divulgado pelo IPEA na semana passada. Ele mostra um avanço na consciência sobre os direitos da mulher e, principalmente, acentua que este não é um problema de natureza privada, mas social. A imensa maioria (80%) das pessoas entrevistadas pelo estudo “Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre igualdade de gênero 2010” considerou que a violência contra a mulher é de responsabilidade da sociedade como um todo, contra apenas 14% para os quais o problema é isolado. Mais: um número superior a 90% dos entrevistados considera que essas agressões “devem ser investigadas pelo Estado mesmo que a mulher não queira”, destacou a técnica Maria Aparecida Abreu, no lançamento do estudo.

Além de ser uma questão pública, social, ela é também um problema civilizatório. O grau do avanço de uma sociedade, já disseram alguns pensadores avançados desde o início do século 19, é indicado pela igualdade entre homens e mulheres. E a violência contra a mulher, cujos protagonistas são principalmente homens que julgam ter direitos especiais, e definitivos, sobre elas, é o principal fator de atraso neste ponto. Parceiros que tratam suas companheiras como objetos de consumo, satisfação pessoal, como bens arroláveis entre as demais propriedades que controlam, e usam a força física ou a violência verbal para impor privilégios. Acionam o medo, a intimidação, a humilhação, para manter formas de relacionamento desigual, e submeter o outro (a outra, no caso) a seus caprichos, vontade, idiossincrasias e fantasias.

Os dados do PNAD mostram que ainda há muito a fazer na conquista da igualdade e no combate contra a opressão da mulher, e o estudo do IPEA mostra que há disposição para isso. É preciso unir estas duas pontas –necessidade e disposição – para avançar na luta contra esta verdadeira chaga social que é a opressão da mulhe

sábado, 11 de dezembro de 2010

Considerações sobre o amor

Pensava eu, dia destes, sobre as crueldades da humanidade. Do que nomina o que tem outros nomes, do que mais fere e machuca, do que humilha, mata e destrói. Do que busca motivos nobres por justificativa, mas que tem por finalidade a opressão, a dominação. 
Quando lembro das cruzadas em nome de Cristo, dos massacres em nome da religião, da soberba imposta por tiranos que  justificam-se cinicamente e de algozes passam-se, para incautos, por benfeitores.
Penso nas desgraças justificadas pela religião, pelo cruel bem-querer e pelo tal - ah - de amor.
Pobre amor, que em sua essência é pura libertação.
Em nome do amor mulheres são vigiadas, cerceadas e, não raro, mortas.
Em nome deste mesmo amor homens, em menores proporções, tem suas vidas controladas pelo ciúme doentio.
Em nome do afeto pessoas são aniquiladas, oprimidas, desprovidas dos mais básicos direitos de opinião, de vontades, de oportunidades.
Em nome do amor filhos são gerados por decisão de uma só pessoa, com objetivos determinados, independente da vontade e de combinações feitas. Aí o dito amor aparece com toda sua garbosidade e moral. 
O amor bestial, este que sufoca e aniquila, transforma imposições em agrados. O amor egoísta exige da criatura dita amada a total subserviência. Em nome do bem do ser amado a vontade deste aniquila-se, afinal quem ama sabe o que lhe é melhor. Este amor autoritário e perverso exige  que quem ama esteja sempre rodeado pelos seres amados, que lhes devem subserviência como retribuição do amor recebido. A troca deste amor é a companhia constante, o séquito ininterrupto. E quem não lhe fornecer este retorno do amor dado, este é o assassino, o perverso, o ingrato. Simplesmente por conseguir enxergar a manipulação exercida por quem abre mão da própria vida pela culpa de não poder descuidar ou contrariar aquele ser que tanto amor lhe embustiu dar.
E então, quando penso em todas as doutrinas monoteístas que apresentam-se como tendo por pilares a caridade e o amor, logo vejo a dissociação da teoria e da prática. Os deuses invocados pelos monoteístas, estes seres vingativos, bisbilhoteiros e cruéis, feitos à imagem e semelhança dos que lhes concedem autoridade. Estes seres que não podem ser contrariados. Se Deuses, vingam-se. Se humanos, adoecem, sofrem, e convencem a todos desta imensa ingratidão de quem lhe ousou desvendar a intenção criminosa de fazer com que sua vontade seja, a qualquer custo, soberana. Contrariar um destes vampiros do amor é debater-se com uma platéia de adoradores ludibriados por este ser amoroso.
Amor é tudo menos imposição, chantagem, manipulação. Amor não rima com autoritarismo, com crueldade, com chantagens, com manipulação. Amor não  entende que a vontade daquele que diz amar tenha que ser soberana. Os impostores que se deleitam e utilizam de um amor inventado, daquele criado para justificar suas próprias carências e necessidades, certamente podem conhecer e sentir sentimentos variados, como o egoísmo, a soberba, o desprezo por aqueles que dizem amar e principalmente a imensa vaidade de ter sua vontade sempre cumprida.
Na  verdade, este amor cínico, cruel e egoísta só faz mal aos incautos cuidadosamente preparados para serem tropa guardiã do monstro que tudo consegue em nome do amor.
O amor não criminoso, o amor verdadeiro, é aquele que se alegra em ver seus seres amados alçando vôo ao invés de engendrar armadiljas para ver-se sempre cercado por eles. Quem ama quer ver o ser amado longe, descobrindo-se, desabrochando, e não enrodilhado à sua volta, fazendo parte da corte cruel que lhe é imposta.
Quem ama prepara seus amados para a liberdade. Este é o verdadeiro amor: Aquele que quer ver o objeto de seu amor livre, construído e constituído.
Quem ama prepara os seres que diz amar para a vida, e não lhes cobra servidão incondicional.
Quem ama não exige sacrifícios do ser amado.

Música para o sábado

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

As sobras da Operação Rio

Alguém saberia dizer como será depois que a ocupação do Rio deixar de ser manchete?
O que fzer com os milhares de "bandidos" expulsos dos morros cariocas? Sim, são traficantes, olheiros, fogueteiros, empacotadores, seguranças, gerentes e outras funções que nem sabemos.
O tráfico emprega, hoje no Brasil, uma considerável quantidade de jovens, em sua maioria sem instrução ou qualificação que lhes permita disputar o mercado de trabalho em condições de igualdade com quem não mora nas favelas, possui um melhor vocabulário, aparência e encaminhamento. Quem nunca passou por uma boca de drogas, que passe para ver. A segurança é total: Traficantes não querem "pilhas" em sua área. O tráfico é uma empresa com hierarquia, com - pasmem-  plano de carreira. Claro que a vida útil de um trabalhador do tráfico é breve, muito breve. Depois,  cadeia ou morte. A FASE está lotada de meninos que querem sair para a rua para "trabalhar". 
Tráfico é carreira. Bem curta, mas em muitos casos, a opção mais próxima, rápida e glamurosa..
Nós, com nossas concepções formadas a partir da escola, família e até em alguns casos igreja, não conseguimos entender que para estes meninos o tráfico,  um emprego, que lhe dá o que a TV mostra, o que eles almejam consumir  e que eles não tem como ter. 
Quem disse que as pessoas devem obrigatoriamente comportar-se da mesma maneira frente aos desafios da vida? Porque uns tem, outros não? Que critério? E se aquilo que a mídia me diz que preciso ter para ser, se  não tenho emprego, sou feio , analfabeto e tímido, como conseguir o que eu quero? 
Ações exemplares ficam marcadas, causam impacto, repercutem.
Afinal, quando o Estado não cumpre a sua função, cria-se um estado dentro do estado.
Mas continuo querendo saber o que será feito dos nem tanto criminosos, e como tocarão suas vidas.
A violência decorrente do tráfico é decorrência . da criação, do meio, da vaidade e do capitalismo. Dos usuários, que buscam suas drogas onde elas estiverem.
Não, não estou fazendo apologia do tráfico, penso que a situação no Rio era limítrofe e algo predcisava ser feito.
Mas apenas ocupar morros e favcelas expulsando os traficantes que antes detinham o controle não resolverá o problema da violência.
Os duzentos, os dois mil ou milhares de trabalhadores do tráfico não passarão automaticamente a bancários, corretores, vendedores. Continuarão sem trabalho. Precisando comer. Com mais raiva represada., A expulsão das favelas não os transformará em profissionais com qualificação, não lhes matará a fome, não mudará anos de convivência e aprendizado da favela.
Então, o BOPE e a GLOBO podem estar em seu momento de glória. Mas estes homens, mulheres e meninos continuarão tendo necessidades, e suprindo-as da maneira que conhecem.
Porque não foi pensado em como absorver esta imensa mão de obra, em capacitação, encaminhamentos, alternativas. Foi uma "ação exemplar", daquelas que agradam desde a imprensa internacional noticia. Realmente, ação de impacto.
Mas o se viu na mídia, foram  adolescentes miseráveis correndo em meio ao mato, em fuga desabalada, enquanto os verdadeiros chefes do tráfico nem estavam lá.  Ah. certamente alguém vai dizer : São assassinos, torturadores..... Certo, muitos são. . Mas para quem a própria vida não vale nada, porque a alheia valeria? Lembro de um adolescente da antiga FEBEM que me dizia sempre: "Dona, prá morrer basta estar vivo. E morro eu, tem mais cinquenta prá aparecer."
Claro que morreu antes de completar 18 anos.
Que bom que o Rio não tenha mais ônibus queimados, arrastões. selvageria.ado se eximiu de suas obrigações o tráfico e as milícias assumiram os territórios e isto não deve, não pode acontecer.
Claro que a polícia tem que agir, claro que a população precisa de segurança, claro que enquanto o Est
Mas eu gostaria de saber onde estão os que fugiram, e por quanto tempo. E para onde vão. Quanto tempo levará a reorganização, se não forem tomadas outras providências que não as militares. Quantos empregos existem para ser oferecidos? Quantos leitos para dependentes? Como impedir que o crime organizado ocupe espaço em outros espaços?
Ou, quem sabe, teremos automaticamente e por obra divina, centenas de novos profissionais, capacitados, totalmente desvinculados do crime. Quem quiser, que acredite. E estes novos trabalhadores, acostumados com outra vida e outros ganhos ingrressarão no mercado de trabalho cor-de-rosa tranquilos e satisfeitos com a precarização de trabalho e dos baixos salários, com alguma mágica que não conheço. 
Para algum lugar, eles vão.



domingo, 28 de novembro de 2010

Musica para o sábado

Desta vez uma pérola, da década de 70 e que embalou minhas tardes de adolescente. Muito procurei até, por insistência encontrar no youtube. Praticamente desconhecido, das melhores obras de grande Gil, merece ser ouvido com muita atenção. Gravado em Londres, e pouco escutado por aqui. Um deleite!!

domingo, 21 de novembro de 2010

O que é isto, santidade?

Pois agora a hipocrisia religiosa declarou-se com todas as letras. O dito "santo" papa, pressionado pela verdade, pela ciência e pela lógica resolve admitir que preservativos podem ser usados,  mas só em determinadas situações.
Pois agora a igreja católica agora admite o uso de preservativos, mas restrito aos homens que se utilizam da prostituição. Feminina, claro. E só nestes casos.
Adolescentes descobrindo sexo, adultos com vida sexual ativa, homo e heterossexuais, se não estiverem usufruindo de sexo pago, continuam sendo excomungados, ou seja, incorrendo em pecado que lhes poderá custar a alma no céu. No entendimento da santidade, além de admitir abertamente a prostituição (a feminina, claro), absolve de punição os homens que dela se utilizam, apesar de condenar as mulheres que lhes fornecem a prestação de serviços sexuais.
O uso de preservativos merece recomendação em qualquer situação, como única  forma capaz  de deter a epidemia de AIDS que se alastra pelo planeta todo. Mesmo entre casais com relações formais, mais ainda entre pessoas com relacionamentos eventuais. A AIDS, que hoje já não ocupa tanto espaço na mídia, mas que continua matando, deixou de ter grupos de risco hoje ameaça indiscriminadamente homens, mulheres, gays, jovens e velhos. Merece campanhas preventivas e que tem como única barreira justamente o que é, para os arcaicos religiosos católicos, pecado. O preservativo.
A África, como continente ainda em colonização, com seus missionários cristãos, sejam eles católicos, islâmicos ou protestantes, é o mais atingido pela epidemia. A medicação que no ocidente torna a infecção pelo HIV uma doença crônica, por lá atinge e mata cerca de um quinto da população. Lá inexiste  uma  política governamental que distribua medicamentos, que dê conta dos já infectados. Os estupros, crime comum naquele continente, somado à proibição religiosa de preservativos torna a AIDS a maior causa de mortes e reduz a expectativa de vida aos 40 anos em determinados países. São inúmeras as crianças infectadas. Ao invés de gastar com missionários, bem poderiam os cristãos gastarem seus euros e dólares com preservativos e coquetéis. Não salvassem a alma, ao menos a carne estaria resgatada. Mas não, os herdeiros do Cristo crucificado preferem as almas, indiferentes ao sofrimento e a miséria. Portanto,  condenam e tornam pecado o uso de preservativos, influenciando os governos e a prória sociedade civil. para que não haja programas de distribuição gratuita de preservativos. E naqueles países destroçados pela crueldade ocidental, ainda hoje e muito dominados pelo imperialismo, a religião é ponto essencial para a dominação branca. A  cultura ocidental cristã imposta em detrimento da rica cultura africana está se dando, em sua maioria, pela religião monoteísta cristã. Os africanos não eram acostumados à idéia de um deus bisbilhoteiro, vingativo e cruel. E é este deus que proíbe a camisinha, que reforça o machismo, que estimula crenças infames (como a cura da AIDS através do estupro de uma virgem), e ainda proíbe o que lhes poderia salvar a vida.
A ameaça do fogo eterno aos usuários de preservativos extrapola o fanatismo, a irracionalidade. Beira o crime, conduz os incautos que professam tal fé ao risco de vida. Porque ao reconhecer a abstinência e a fidelidade como únicas formas de deter a epidemia, a igreja católica torna-se responsável pela possibilidade de morte de milhões de pessoas que professam sua fé.
Mas a contradição admitida pelo papa merece um olhar especial. Ou seja, homens podem pecar contra a castidade e inclusive precaver-se da contaminação.
A hipocrisia cristã avança mais um passo para sua própria desconstituição.
Afinal, a igreja prefere salvar almas, mesmo que os corpos padeçam até a morte de uma doença que facilmente poderia ser evitada. Tudo culpa de Eva, que, afinal, seduziu Adão.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sobre a infância e juventude excluída

O trabalho (quase impossível) de educar é algo tão emaranhado, tão cheio de desconstruir mitos e preconceitos (inclusive de outros educadores), é tão sutilmente condicionado a não acontecer... Ser educador, hoje, é quase uma guerrilha cultural, enfrentamento direto com as velharias que nos enfiaram goela abaixo por séculos e séculos, e que inclusive quem sofre a repressão ideológica dos dominantes, custa a entender.
Minha volta ao trabalho na Fundação de Proteção Especial traz outra vez os choques com aqueles que deveriam ter uma passagem provisória nos abrigos, e no entanto terminam por viver a  parte grande  de suas infâncias e adolescências em instituições.
Na Fundação de Proteção, herdeira da antiga FEBEM mas que se dedica ao atendimento de crianças e adolescentes em situação de abandono e/ou de risco, cerca de 40 abrigos atendem de 14 a 18 abrigados. De acordo com a determinação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) são abrigados juntos crianças e adolescentes, portadores de necessidades especiais, bebês, usuários de drogas em tentativa de recuperação, adolescentes que cumprem medidas por atos infracionais em meio aberto.
Geralmente dois trabalhadores (antes monitores, agora educadores) e, com sorte um profissional de cozinha dão conta de todas as tarefas do abrigo, de atendimentos médicos, pricológicos na rede pública à escola, escalas de tarefas, higiene, disciplina. Limites para quem nunca teve limites, afeto para quem não está acostumado com afeto, escola, temas, conversas, conversas e mais conversas.
A bagagem de cada acolhido nestses abrigos é geralmente  cruel. São estórias de abandono, de maus tratos, de abusos, de desamor.
Mas o abrigo deve ser passageiro. O trabalho deve ser feito não só com o abrigado, mas com as famílias, que precisam se organizar para retomar os vínculos com seus filhos, ou sobrinhos, ou afilhados. Por mais confortável que um abrigo pudesse ser, nada como a casa de cada um deles, e isto é verbalizado.
Enfim, mesmo com o avanço dos programas sociais, não basta acolher a criança ou o adolescente e mantê-lo no abrigo. Porque os 18 anos chegam rápido, e aí? São muitos os casos em que os adolescentes desligados não conseguem desinstitucionalizar-se, e ficam vivendo às voltas dos abrigos, a família que lhes foi possível.
Por isto, a maior urgência é o acompanhamento das famílias, para trabalho, para programas sociais, para reestruturação. E isto pouco ou nada depende dos trabalhadores de dentro dos abrigos.
De certo, só que enquanto continuar o sistema capitalista com sua crueldade e desigualdade, continuarão a existir abrigos, abrigados e exclusão de crianças, adolescentes e suas famílias.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sobre o Ato de Escrever

O ato de escrever tem uma singularidade sobre nossas (ou minhas) outras características. Escreve-se às vezes por impulso, por vaidade ou por ofício. Certo, pode-se empilhar razões e motivos, mas escreve-se, principalmente, pelo prazer. Escreve-se pelo deleite de  comunicar ou compartilhar nossas opiniões.
Escreve-se como depoimento vamente sugerido. Escreve-se  com a ousadia de imaginar desdobramentos de ações a partir das similaridades, do conhecimento adquirido ou da conjunção de fatores presentes. E Então escrevemos porque entendemos os fatos. Bem cedinho.
Escreve-se por que a palavra escrita é hoje, de todas,  a arma predileta do poder estabelecido e nossa maior possibilidade: O convencimento pela  razão. Bem, nós temos a razão.
Escrever juntando a observação com a elaboração. Sobre o visto e o vivido. Pintar retratos com idéias derramadas em palavras. Contaminar o conhecimento alheio de realidade.
Escrever pode ser reafirmar o já dito, explicar o ocorrido. Mas é muito mais do que isto.
Escrever pode ser publicizar e por a prova o que entendemos como corretas posições, idéias e conceitos.
Escrever é desnudar nossas fraquezas e incapacidades, ou corroborar nosso conhecimento.
Escrever é contaminar de tesão nosso pequeno mundo.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma ganhou, Marina sumiu, Serra não morreu




Aquele suspiro de alívio a que só me atrevi quando ouvi do ministro Levandowski o anúncio oficial de vitória de Dilma. Do início da campanha até aqui, passando pelo avesso de eleger o governador Tarso no primeiro turno e entrar em campanha para o segundo, momentos impagáveis, como a expressão dos globais âncoras de diversos telejornais, e tensão, muita tensão.
Concorri eu, como tarefa partidária, sabedora da impossibilidade da eleição. Sabedora mais da necessidade de, primeiro, tirar de meu estado o urubu paulista que por aqui pousou. Mas imensamente mais sabedora da necessidade de continuar o projeto nacional de desenvolvimento, de não vergar a coluna aos poderosos do norte, de seguir o que começou com Lula.
Dilma não é Lula, e tomara que esteja ele sempre ao seu lado.
Porque não será nada fácil manter e acirrar o processo iniciado em 2002.
Tive uma idéia do que espera por Dilma ouvindo hoje, no rádio, uma entrevista  sobre a necessidade de nova reforma da previdência, com louvores sobre a atitude de Sarkosy na França, sobre o aumento da expectativa de vida dos brasileiros. Ou seja, o movimento sindical querendo acabar com previdenciário e o neoliberalismo hoje, um dia após a eleição da presidente, dando seus ares.
Dilma ganhou. Tanto quanto Lula, ganhou o governo, quanto ao poder é outra história. E olhos gananciosos espreitam, com muita gula, um Brasil que teve sua economia resgatada por Lula apresar de todas as armações, escândalos, mídia cercando, denúncias de todos os tipos e queixas. Muitas queixas dos herdeiros do capital acumulado por mais de 500 anos de escravidão, explorações, expoliações, uma luta de classes em que sempre o sem alguma coisa foi massacrado pelo dono de muitas coisas. Por isto a repulsa pela bolsa família, por programas sociais, por qualquer coisa que trouxesse ao Zé Povinho qualquer sopro de vida melhor.
E isto, esta indignação do neoliberalismo com um governo que ousa contrariar os poderosos de sempre não passará em branco, tanto quanto o governo Lula não passou. Os neoliberais e seus novos aliados, como a "doce" Marina, que ao não se decidir decidiu-se. E que desapareceu providencialmente após sua confissão de cada um por si e deus por Serra. Mas que deixou claro que foi apenas uma escapada estratégica, para acumular forças e retornar com tudo com sua esperteza de beata inconformada. 
Terá companhia. 
Pelo discurso ácido do "candidato derrotado", como inclusive a Globo está chamando o tucano, pela expressão de ódio, pelas ameaças veladas e as garantias de retorno, a direita sai desta eleição organizada e com líder definido. E não poderia ser outro. Afinal, nem Aécio nem Alkmin, nem Jatene, todos eles com mandato vão querer chefiar a ira neoliberal. Os ventos progressistas sopram na América Latina, no mundo. Mas um líder fascista sempre encontra seu lugar, e Serra tem tudo para transformar-se numa referência da direita brasileira, quiçá latino-americana. E o PSDB não saiu mal desta eleição. Elegeu boas bancadas estaduais e federal, oito governadores que juntos administrarão 56,4% do PIB brasileiro. E Serra, o derrotado, afinal fez seus 45% de votos. Muito voto.
Serra não morreu, e Marina, entre outros, aguarda-o. Tomara Dilma, a base aliada, os brasileiros e brasileiras decentes saibam identificar, denunciar e combater as baixarias e artimanhas desta oposição inconsequente e irredutível que busca apenas a desestabilização do projeto desenvolvimentista nacional.
Por isto nossa tarefa começa antes mesmo da posse de Dilma. Empurrar seu governo cada vez mais para a esquerda, mas dar-lhe sustentação nas ruas, nos movimentos sociais, alimentar a internet com informações corretas. Com a direita não se brinca. 
Mas ninguém segura o povo organizado e um governo coerente.

sábado, 23 de outubro de 2010

A guerra de papel

Ou como acabar de vez com a própria imagem.
Campanhas eleitorais vez que outra apelam para táticas nada elegantes. Mentiras, calúnias, agressões. A busca do voto  não ocorrendo pelo convencimento, e sim pela pressão. Se antes o voto era conquistado pelo cabresto, pela força bruta, a cada mecanismo criado para garantir a legítima vontade do eleitor surgem novos métodos de arrancar o voto.
Com as decisões individuais garantidas pelo voto eletrônico, a saída  foi apelar para o convencimento através da mídia. A televisão, rádio, redes sociais falam ao mesmo tempo para milhões. Hoje são comuns empresas especializadas em eleições, profissionais que só trabalham para este fim. E isto ocorre na direita e na esquerda. A mídia hoje é fundamental para definir eleições, elege ou deixa de eleger. Situações como a da primeira campanha de Lula presidente, quando sequestradores foram apresentados com a camiseta do PT na última hora, quando já não havia mais como desmentir a acusação foram decisivas para a derrota do candidato em 89. De lá para cá a campanha eleitoral eletrônica só se especializou.
Mas este ano os marqueteiros do candidato das elites foram muito ruins. Certo que partiram para mentiras perigosas, capazes de influenciar eleitores pouco politizados, mas depois exageraram. Foram mais longe do que a piada de um posto médico a cada kilômetro do então candidato ao governo do RS, Germano Rigoto, que por conta disto ganhou a eleição em 2002 e depois não abriu sequer um único posto de saúde em todo o Estado.
Mas quando sentiram a derrota sem volta... Apelaram.
A piada da bolinha de papel invadiu não só as redes sociais, ocupou e está ocupando o momento político. Serra e sua pretensa agressão viraram a piada do dia no Brasil e no mundo. As variantes da piada podem ser   lidos, vistos e ouvidos do Oiapoque ao Chuí. Seu programa não expõe mais propostas de governo, abandonou até as mentiras plausíveis para os desinformados. Só fala na agressão, mostra cenas mal-montadas, só aparece como vítima. Quem quer votar num presidente que passa mal se atingido por uma bolinha de papel? 
Não entendo como a Globo entrou nesta. Certo, todos sabemos de sua preferência pelo candidato Serra desde o início da campanha. Mas a farsa montada e apresentada como "imagens do celular de um repórter" foi demais até para quem ainda acreditava na emissora.
A guerra das bolinhas de papel certamente ficará conhecida como o episódio que jogou ao ridículo Globo e Serra. A piada do ano, a chacota da vez.
Faz lembrar uma expressão dos tempos de minha adolescência: Perder uma ótima oportunidade de ficar calado. Pois Globo e Serra perderam.
Êta candidatinho bem frágil este...

domingo, 17 de outubro de 2010

Marina mostra quem é!

Que cena triste e lamentável, apesar de previsível.
Marina Silva, elevada à categoria de caudilha verde, e ao lado de Gabeira, tenta explicar o inexplicável, e se abstém de apoiar este ou aquele candidato. Aquele "não sei" com cara de "sim".
Gabeira, pessoalmente, já havia declarado seu voto em Serra. Mas o discursinho, sem-vergonha, de deixar que cada um vote de acordo com sua preferência, não convence ninguém.
Os ditos verdes, no mundo todo, ao reduzir o discurso político à defesa do meio ambiente prestam um grande serviço ao capital. Não enfrentam a exploração, a concentração de rendas. Não atacam o problema em seu fulcro, que é a produção desenfreada e desnecessária. Concentram o discurso na defesa irracional do ambiente, desconsiderando o capitalismo enquanto fonte de todas as mazelas sociais.
Por fisiologismo, irresponsabilidade, protesto ou desconhecimento milhões de brasileiros votaram em Marina, levando a eleição para o segundo turno. Agora Serra tem tempo para mentir deslavadamente sobre salários de 600 reais,  aumentos para aposentados e outras coisas que o neoliberalismo jamais fará. Este foi o principal resultado da candidatura de Marina.
Bem, a indecisão com cara de decisão foi tomada. O parco respeito que tive por Marina após sua ida para o PV desapareceu.
Parabéns à direita: Encontrou uma aliada de primeira linha.
Mas Marina que nunca mais ouse falar em nome de Chico Mendes após ter se aliado grotescamente a seus assassinos.
Escrevi, tempos atrás, sobre semelhanças entre Marina e Heloísa Helena. Agora retiro o que disse. Afinal, o PSOL está tendo uma postura adulta ao declarar apoio crítico e orientar o voto em Dilma para sua militância. Esta coerência é o mínimo que se poderia esperar da tucaninha de bico verde.

Musica para o sábado

Musica para o sábado

http://www.youtube.com/watch?v=XoULh6RCMc8

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A quem serve o aborto clandestino

Aborto é uma ação dura, dramática e dolorosa. Quem já passou por ele sabe. Aborto não é nada que alguém faça de manhã e saia dançando à noite. Aliás, muitos anos atrás, uma amiga fez justamente isto: Um aborto pela manhã e saiu para dançar à noite. O que poderia parecer um descaso com o ato em si revelou-se um ato de sofrimento e culpa poucas vezes tão extremado: Quem a conhecia entendeu seu desespero, que terminou em hemorragia tão forte que nem mesmo a hospitalização horas depois foi capaz de salvar-lhe a vida.
A culpa desta menina (18 anos) de, primeiro ter engravidado, depois ter abortado, sem o mínimo acompanhamento do par responsável pela gravidez,  lhe custou a vida. O homem pai do feto abortado sequer é lembrado pela troupe que abomina a mulher que interrompe a gravidez. Afinal, a quem serve a proibição do aborto? Não será aos médicos e suas clínicas bem equipadas, com anestesistas, enfermeiros, boas instalações? Aos bancos, financeiras ou agiotas que emprestam dinheiro para que os abortos não dependam de talos de mamona, agulhas de tricô ou canos de borracha enrolados em grampos de cabelo?
Agora, como arma ideológica, um batalhão de autodeclarados católicos que só pisam em igrejas para casamentos e batizados, se declaram escandalizados com a possibilidade de uma candidata ser favorável à descriminalização do aborto.
Quem, aliás, regulamentou o aborto no SUS foi o candidato do PSDB, e o fez acertadamente.
Aborto não é agradável, não é bom, não é método contraceptivo. Aborto deixa sequelas, dói, machuca. Mas não tem nada das guampas demoníacas, não é responsabilidade única da mulher, não é método contraceptivo.
É um assunto doloroso até para soletrar. Mas não tem que servir como arma-baixaria para a direita envolver e desmoralizar a candidata que em nenhum momento propôs o aborto com solução para controle de natalidade.
Aborto é a última solução. Aborto não é o programa de Dilma para as mulheres brasileiras. Denúncia de aborto é só mais uma baixaria da direita inconformada com a vitória das forças populares. Porque certamente a maior parte destes que hoje denunciam Dilma como cruel exterminadora de criancinhas antes nunca se preocuparam com as milhares de crianças brasileiras que morreram ao nascer, ou antes de completar um ano, de desnutrição, de falta de saneamento, de falta de atendimento médico. Aliás, quantos deles e delas já usaram as luxuosas clínicas ginecológicas para descartarem gestações indesejáveis e agora mudaram de idéia? Só poderiam dizer os médicos que se dedicam a este trabalho. Mas estes e suas clientes jamais nos dariam seus índices. Eles preferem manter a ilegalidade do aborto e criar lendas sobre Dilma, porque certamente com Serra suas identidades continuarão preservadas.

sábado, 9 de outubro de 2010

As decisões de Marina


Recém hoje estou conseguindo atualizar e-mails, as redes sociais, e o blog. Que ficou semi-abandonado durante este período, por razões óbvias. Mas que está sendo retomado agora, voltando um pouco ao que era, cruzado com o que aprendi nesta eleição. Um aprendizado que, de outra forma, levaria anos, acho eu. Um pulo na compreensão política. Geral: Maior capacidade de discernimento, parece. Mas com a total certeza da linha política proposta, da necessidade da eleição de Dilma, indispensável, o alívio da eleição de Tarso e Paim. E com a catarse pós-eleição, com os milhares de votos confirmando os acertos.
A eleição de um parlamento majoritariamente de centro-esquerda, a campanha canalha em curso pela direita mais sórdida deste país, inconformada com a diminuição das diferenças sociais, esta é coisa. Porque lucros, a indústria nacional e a internacional tiveram; bancos tiveram, e muito, lucro. Claro que ninguém quer abrir mão de meio milênio de privilégios, mas é além. O que mais incomoda são as transformações sociais, as que os ultra-esquerda dizem não ser nada, mas que os que se auto-intitulam-se “de bem”, a sociedade conservadora e preconceituosa sente medo. Medo?
É o medo de se parecer com  negro que estuda na universidade particular junto com o branquinho de família classe média via ProUni. E que esta gentinha que hoje ascende socialmente como antes não se via compre eletrodomésticos, carros, que inche a classe média. Aliás, agora tem muita classe média. E isto, este "emparelhamento", esta possibilidade de ficar não mais tão diferente dos pobres e miseráveis, por mais que impossível no capitalismo, esta empáfia de 510 anos que os poderosos e dominantes brasileiros sempre tiveram com os outros brasileiros é, para  mim a maior dor que trará a eleição de Dilma Presidenta. Grande como a angústia de não poder vender CEF, BB, PETROBRAS. Ou de vender mais estradas e construir pedágios, e deixar o SUS tão ruim que quem pode, faz plano de saúde privado e paga o que nem pode por isto. Diminuir diferenças e distribuir renda é demais para este povo. Para quem acha programas sociais moralmente condenáveis. Quem acha que o que vale mesmo é a força de vontade e o talento de cada um para superar concorrentes e vencer, faturar e ser sempre o melhor. Tentar mostrar outra vida possível e promover um pouco de cidadania para quem nunca a teve, isto a burguesia brasileira não aceita.
Tentaram de tudo, continuam tentando, mas é difícil ser competente ao enfrentar o presidente com o maior índice de aprovação da história do país. Serra, coitado, não emplaca nem com todas as armações do mundo. Não iria para o segundo turno de jeito maneira. Daí a arma cuidadosamente articulada, cultivada. A doce Marina.
E a história se repete: É a mídia detonando, a boataria correndo, a baixaria pegando. E os colaboradores de sempre. Eleição passada, Heloísa Helena. Esta, a bem mais competente Marina. A direita não brinca,
A ambientalista que é favorável à implantação das usinas hidrelétricas. Que só fala em sustentabilidade, mas que esquece a pior de todas as poluições, a miséria. A que, em toda sua campanha não teve uma única palavra contra as papeleiras, a proliferação dos eucaliptos, a poluição mascarada da Vale. Que nem passou perto de denunciar empresas poluidoras, que não propôs em toda a campanha a pauta mínima que propõem os ambientalistas sérios.
Aquela Marina, tucana de bico verde, me deixa sempre uma dúvida importante: Penso se alguém com sua trajetória política, alguém aluno do Chico Mendes, acredita no que diz. Será que Marina crê que seus pares partidários são  ambientalistas? Marina acredita mesmo nisto? Ou jogou fora toda sua história, sua trajetória, o que ela acreditava? Não, não me convenceu uma ambientalista que não tem divergências de fundo com a candidata do que foi seu campo por trinta anos. Xis dias para definir o que fazer. Mas ela não sabia meeesmo o que deve ser feito? Ela já não sabia que Serra é neoliberal? Não lembra como foram os anos FHC?  Gabeira já decidiu por apoiar Serra. Será este o caminho de Marina, um novo Gabeira?
Mas por hoje, deixo esta questão: Se Marina mudou tão rápido de pensamento, de método, de princípios. Ou se está mais perdida que Cusco em procissão e não se dá conta das coisas que anda fazendo. Ou ainda, se ela sempre foi assim e ninguém antes notou.
Nada como esperar alguns dias para ver que decisão tomarão Marina e seu PV. Mas o serviço já prestado à direita, este não terá como apagar.

sábado, 2 de outubro de 2010

Música para o sábado

Amanhã

Amanhã decidiremos o Brasil que queremos.
Sem esquecer que o rio só tem dois lados,
amanhã conheceremos parte de nosso futuro próximo.
E que os privilégios que dominam este paíssaberemos.
desde sua primeira invasão
estarão um pouco mais expostos e desgastados.
Amanhã mesmo saberemos

.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A panacéia da direita

De uma hora para outra, a direita muda sua estratégia e parte para para a ficção. Primeiro, promete o salário mínimo a R$ 600 caso Serra seja eleito. Depois é a vez de Ana Amélia (segundo algumas crianças que estavam cantando sua música hoje, Ana Ameba) se propõe a ser a voz dos aposentados, da juventude, das mulheres, lutar pela educação e trazer o desenvolvimento para o RS. De novo Serra, e aparecem índices gordos de aumento para os aposentados. Porque então não apareceram estes aumentos e benesses no governo FHC? Serra fala em saúde, saúde, saúde. Como foi a saúde em São Paulo no seu governo?
É no mínimo engraçado ver esta turma que poucos anos atrás batia palmas para FHC chamando os aposentados de vagabundos agora tentando se apresentar como a voz dos mesmos aposentados.
O desespero da direita é compreensível. O que não se admite são as artimanhas e as mentiras que estão sendo usadas para tentar reverter uma vitória do campo popular, que a cada dia mais se consolida e que é a verdadeira vontade do povo brasileiro.
Se é caso de polícia, ou de de comprometer legalmente, eu não sei. Mas este salário de R$ 600  anunciado por Serra só aparece agora, quando claramente ele já não chega ao segundo turno. Os factóides transformados em barbaridades, a superestimação de fatos passados, a pegada pesada para cima do governo Lula e de Dilma são puro desespero. E é este povo que quer governar o Brasil... Este povo que governou, usou, usufruiu e se locupletou com o trabalho e a riqueza do povo brasileiro que não se conforma com luz para pobre, universidade para pobre, com crédito para pobre, com VIDA para o povo!
Por isto agora eles propõem tudo o que se ouve falar. O que eles, no governo, jamais fariam. Remédio para todos os males, solução para todos os problemas. Agora, como um bálsamo universal curador, a direita oferece tudo o que nunca teve a mínima intenção de oferecer.
Nestes poucos dias que nos separam da eleição, todo nosso esforço é pouco para garantirmos que as mentiras e os engodos da direita não contaminem nosso povo, tão esperançoso agora com a possibilidade de seguir avançando o projeto popular representado no Brasil por Dilma e por Tarso no RS!

Agora é Tarso!


Recém chegada da última plenária de mobilização da Unidade pelo Rio Grande, a sensação que veio junto é a de vitória. V

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Na Lagoa

O sol parece cacos de espelho nas pequenas ondas, e a água é meio salobra, meio doce.
Pequeninos animais se aninham nos juncos das margens rasas e barrentas.
Mesmo quando a brisa se espreguiça esperando a chuva, os ares carregam seus escritos.
A lagoa se mostra nua para poucos, pouco e raras vezes, sem nunca avisar a hora certa.
As vezes precisamos espiar com calma  o vai-e-vem das cintilações da luz.
Em outras somente a percebemos quando ela desperta em nossos sonhos profundos.
Ou a carregamos com a imagem presa no papel, na tela, no bordado,
As almas do sul da lagoa passeiam por nossos olhos embrulhados em mantas de luz.
Os ventos do sul da lagoa assobiam em nossos ouvidos quando as águas sobem, no fim da tarde,
As árvores sacodem suas folhas e elas caem os sons se misturam,
E se estivermos com os sentidos para o sul, podemos ouvir as almas de lá.
As ondas, as águas, as sombras, as músicas: Cada sinal uma vontade.
Moça geniosa, não é sempre que a lagoa se mostra sem suas mantas e véus.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Mobilização Total até a Vitória!



Estamos diante de um feito inédito e extraordinário: governarmos o Rio Grande com Tarso e o Brasil com Dilma. Ambos representam neste momento a esperança de todos nós que lutamos por liberdade, por justiça social, por democracia, por desenvolvimento, por igualdade.
Lá e aqui, nossos adversários tentam desencadear uma campanha com o objetivo desesperado de impedir nosso crescimento, identificado por todas as pesquisas realizadas nos últimos dias.
No Rio Grande em particular, acompanhamos com perplexidade os últimos acontecimentos que colocam o Estado – mais uma vez - nas páginas policiais.
Diariamente tentam nos convencer, hora que a eleição está ganha, hora que está perdida. Hora que será decidida pela TV, hora que será decidida pelo poder econômico.

A ação consciente de nossa militância fará a diferença.

            Já compartilhamos muitas lutas. É chegada à hora de travarmos a mais importante batalha pelo futuro do Rio Grande e do Brasil. É hora de colocar o melhor de nossas energias e consciência militante para vencer! Por que é do futuro que se trata. Do nosso futuro. De um Rio Grande e um país melhor para todos.
            É chegada à hora da verdade. De mostrar nas ruas a força da mais consciente, decidida e abnegada militância: a militância da Unidade Popular pelo Rio Grande. É hora de mostrar e demonstrar a força dessa Unidade, da nossa Unidade.
            É hora de tomar as ruas, adesivar o peito, os veículos de transporte, identificar nossas residências e, nas ruas, tremular com orgulho nossas bandeiras. É hora de apresentar nossas propostas de governo construídas em diálogo com o povo. Conquistar os amigos e todas as pessoas de bem para nossa luta. É hora de fazer nossos materiais e melhores argumentos chegarem ao lugar certo, o eleitor, através dos caminhos que já conhecemos, de casa em casa, nos mutirões, na família, no trabalho, na parada do ônibus. É hora de iniciativa, de humildade, de solidariedade, de exemplo, de criatividade, é hora de ação.
            É hora de mostrar ao povo que defendemos com orgulho nossas bandeiras e que nossa campanha é uma só: Dilma, Tarso, Beto Grill, Paim, Abgail e os candidatos e candidatas proporcionais da Unidade Popular pelo Rio Grande. É hora de mostrar que somos todos Lula e que somos todos uma só campanha, um só bloco político e social, um só projeto.
            Até a vitória!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Remédio para todos os males

Assistir o horário eleitoral é programa indispensável nestes tempos. Para ver e ouvir o que está sendo proposto, para avaliar os candidatos, para distinguir bem o que é viável e o que é viagem. Por ontem,  a mudança no programa de Serra foi notável. Deve ter sido trocada toda a equipe, porque método, fotografia, música, tudo mudou. Claro que a baixaria continua pegando: Afinal, quem não tem proposta só pode apostar na desqualificação do oponente. O programa de Dilma, ótimo, cometeu uma incorreção histórica forte: citou a Princesa Isabel como responsável pelo fim da escravidão. Equivocado e dispensável.
Mas depois, nas candidaturas proporcionais, ouve-se de tudo. Certamente que as prioridades partidárias limitam o tempo de exposição das propostas. Mas alguns candidatos, premidos pelo pouco tempo, enumeram demandas como quem serve-se num rodízio de pizzas. Ontem mesmo ouvi um que disse algo como: "Saúde, educação, ecologia, segurança, redução de impostos, mais empregos, melhores salários e fim da corrupção". Como se as bandeiras encordoadas pudessem ter algum significado.
Fora atuações folclóricas como a do candidato que se diz muito pobre (o que dá a entender que caso eleito resolverá sua vida), o outro que se propõe a acabar com a bandidagem, os enviados por deus e outras pérolas, o que fica mesmo é que a falta de entendimento sobre o que faz um parlamentar ainda grassa em muitos partidos, que para engordar as listas necessárias se comprometem com quem não tem nenhum compromisso com a boa política.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Bateu o pavor!

Cheguei em casa neste 7 de setembro por volta das cinco da manhã, exausta das agendas da campanha, mas resolvi espiar os telejornais apresentados pela TV aberta. 
Primeiro, localizar telejornalismo, já que três emissoras apresentavam cultos evangélicos. Depois, a constatação: Bateu o pavor na direita brasileira. Só se fala em vazamento de dados da receita. A hipervalorização de um episódio ocorrido há cerca de um ano. Detalhe a detalhe, cada vírgula comentada, com direito a pitaco da tucana de bico verde Marina Silva, naturalmente indignada com o fato e exigindo, aos brados, apuração e punição dos fatos.
Num momento em que a diferença de pontos nas pesquisas demonstra a inviabilidade da campanha tucana, todos os recursos são tentados para oportunizar uma virada na posição de Serra. Até o absurdo de Serra comparar-se com Lula em 89, quando foi utilizado um depoimento-bomba sobre a possível intenção de Lula interromper a gravidez de sua filha Lurian. 
Tá, e daí?, perguntamos.
Qual a relação entre os dois fatos? Nenhuma, claro. Mas o que fazer quando não há nada a dizer? Inventar...
O desespero tucano aparece também no horário eleitoral, onde os partidos auxiliares alimentam as denúncias contra Dilma. Francelino para cá, Plínio para lá e reaparece o... sigilo fiscal.
Tão boa memória para alguns fatos, tão ruim para outros. Porque os partidos auxiliares da direita não recordam do caso Daslu? Do Mensalão do DEM? Falam tanto em Zé Dirceu que esquecem Arruda e Maluf.
Sem propostas concretas para apresentar, a tucanagem geral só tem mesmo que esbravejar, xingar, distorcer e reclamar. Sem, entretanto, deixar de tentar colar sua imagem desbotada no presidente de maior aprovação da história. 
A água chegou no pescoço tucano. Bateu o pavor. E começou a baixaria, como era esperado. Afinal a mídia golpista, a direita indignada e os tucanos decadentes não entregariam facilmente seus privilégios.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Metáforas para o desastre tucano


Nos últimos dias tenho lido e ouvido muitas metáforas referentes aos tucanos. Coisas como "barco afundando", "debandada do ninho", "edifício desmoronando". Cá prá nós, nada criativas, se fizermos uma análise literária. Eu mesma já usei alguma delas em textos anteriores. 

O lado bom, esquecendo o lado literário, é que realmente a campanha tucana desaba no Brasil todo, e não só com Serra. A campanha na TV, que era aguardada como grande recurso, capaz de alterar as intenções de voto em favor de Serra reforça, a cada dia, a campanha de Dilma.

A propaganda eleitoral da direita, com efeito, tem variado do patético ao ridículo, com direito a dramatizações dignas de novelas mexicanas. Serra não acerta a linha, semanalmente troca de prioridades, muda o discurso, varia o tom. Invariáveis são as referências sobre saúde, como se em São Paulo, dirigida pelo PSDB há quase duas décadas, não houvesse falta de vagas, filas, espera e péssimo atendimento.
O programa de Dilma tem sido no mínimo correto. Primeiro, tem como apresentador o presidente mais popular da história do Braisil. É leve, traz propostas e, muito corretamente, não responde aos insultos e agressões do oponente. Passa uma idéia de concretude.
Na verdade, a direita no Brasil vive uma grande crise de identidade: É oposição, mas não se atreve a falar de Lula, ao contrário, tenta colar nas realizações do presidente, dizendo suas obras feitas com dinheiro federal. E então como se diferenciar do governo, como ser oposição, como dizer que é errado o que já mostrou dar certo?
Mas nem só a campanha presidencial está no ar.
Como diz o velho ditado, o peixe apodrece pela cabeça. O desânimo e a incerteza de Serra, os índices caindo, a falta de coerência programática (afinal, qual é o projeto de Serra?) funciona como freio para as demais campanhas da direita no país. Mesmo nos estados  onde nos últimos anos tem sido hegemônico ou tido forte influência, as campanhas ligadas ao tucanos não decolam. O último reduto tucano, São Paulo, começa a balançar.
O esforço da mídia tendenciosa, de requentar uma denúncia de setembro do ano passado, referente ao vazamento de informações da receita federal, não está emplacando.
Então sobra para nós assistir um patético Serra, dizendo-se ofendido e perseguido como Lula foi em 1989 quando Collor usou de sua filha Lurian em rede nacional para tentar desmoralizar sua candidatura.
Por isto, mesmo que não sejam pérolas literárias, as metáforas estão bem empregadas. Resta a nós exercitar um pouquinho a criatividade e encontrar novas metáforas para o desastre da direita brasileira.





quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Descriminalização das drogas, Portugal


YURI ROSAT 
Com 9 anos de descriminalização das drogas, Portugal vem se tornando um exemplo de estudo quando o assunto é política de drogas. Discordando da política de erradicação dos EUA, o país ibérico descriminalizou todas as drogas – da maconha à heroína – em 2001 e substituiu a prisão dos infratores por oferta de terapia.

A princípio a iniciativa causou dúvidas, principalmente na parcela mais pobre e conservadora da população que acreditavam na dominação do país por um “narco-turismo”. No entanto, uma pesquisa feita pelo instituto norte-americano CATO aponta um resultado oposto à expectativa.

O documento publicado em abril revelou que em cinco anos de descriminalização, o uso de drogas ilícitas entre adolescentes diminuiu, bem como as taxas de novas infecções por HIV, devido ao compartilhamento de seringas. Em contraponto, o índice de pessoas que procuraram o tratamento para a dependência química triplicou, passando de 8 mil para 24 milpacientes, segundo a revista Época.

No início dos anos 90, Portugal apresentou alguns dos mais altos níveis de consumo de drogas pesadas, quando chegou a ter 150 mil dependentes em heroína – quase 1,5% da população. Hoje, o país é referência para estudos internacionais do tema, tendo diminuído as taxas de overdose de 400 para 290, além do registro de pessoas infectadas pelo HIV que caiu de 2 mil para 1.400 pessoas.

Pela lei portuguesa atual, a pessoa flagrada portando ou consumindo pequenas quantidades de droga – limite para 10 dias de consumo - não responde criminalmente pela infração. Se apanhado pela polícia, o usuário será encaminhado a uma “comissão de dissuasão”, onde será avaliado por um psicólogo, um advogado e um assistente social, que recomendarão tratamento ou multa. A penalidade para traficantes não mudou.

Yuri Rosat é estudante de Comunicação Social e relações públicas da UNEB

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Partidos descumprem os 30% para mulheres

Como anda o cumprimento da lei que garante os 30% de mulheres para candidaturas proporcionais nas eleições 2010? Segundo o TSE, a regra não está sendo cumprida, fazendo com que faltem 537 candidatas para a Câmara Federal. Em Minas Gerais, campeã do descumprimento da lei, este número chega a 96. Ainda em Minas, seriam necessárias 161 mulheres candidatas a deputadas estaduais para o cumprimento da lei. Num dos Estados mais machistas do país, apenas um partido cumpriu a cota de 30% nos dois níveis, federal e estadual.
Nacionalmente, nove dos 27 estados do Brasil não conseguiram fechar suas cotas. Para o ministro Ricardo Lewandowsi, do TSE, o percentual de candidatas para partidos e coligações deve ser observado “de forma imperativa”, sugerindo aos que não cumpriram a regra duas alternativas: Ou a diminuição do número de candidatos homens, ou a busca e inscrição de mais candidatas mulheres.
O que preocupa nesta conjuntura, porém, não é só o não-cumprimento da lei. Os partidos que não alcançaram o número de mulheres necessário, em busca de razões para apresentar ao TSE poderiam simplesmente inscrever algumas mulheres para garantir a não-retirada de candidaturas masculinas. Mas sem proporcionar a elas recursos necessários para suas campanhas.  
Cabe a nós, mulheres, atenção a estas candidaturas. Se de fato queremos mecanismos capazes de diminuir as desigualdades e opressões, não podemos aceitar a posição de “laranjas” eleitorais. Que na prática só serviria para garantir a continuidade de dominação que tanto contestamos.

sábado, 14 de agosto de 2010

Música para o sábado

Constatação

Machismo, raciscmo, homofobia, lesbofobia, gerontofobia.
Xenofobia, discriminações.
Preconceitos, opressões,
Violência pelo não entendimento de diferenças,
Subjugações.
O capitalismo só acirra as contradições,
alimenta-se delas.
No capitalismo,boas intenções
não darão conta de devorar todos estes montros.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Serra na Globo



Bonner, primeira cordial pergunta: Candidato, o Sr tem procurado evitar críticas ao presidente Lula. Isto é o que se espera de um candidato de oposição? Resposta: Lula não é o adversário. Vou melhorar o que está bom e mudar o que não está. Serra segue falando , sem interrupções, bonner perguntando se isto não será mal encarado pela população. A resposta: Algumas coisas do governo Lula foram boas.

Evidente que Serra não poderia criticar sem tréguas o governo que tem  os mais altos índices de popularidade já obtidos no Brasil. O clima é de cordialidade, em nada lembra as entrevistas já feitas com Dilma e Marina. Será que o casal global tem problemas com candidatas mulheres?

Chega a vez de Fátima. Gentilmente ela pergunta por que Serra não evita comparações entre Lula e FHC. Mais gentil ainda ele responde que em nada ajudaria o Brasil fazer  comparações, mas que FHC arrumou o Brasil, que conteve a inflação, que ele criou os genéricos, que a saúde piorou, as cirurgias diminuíram, etc. e tal. Insinuou uma comparação entre ele próprio e Lula com Mano Menezes e Dunga, desafeto global.

Realmente, Plínio tem razão: Serra só fala em saúde, o resto é periferia. E não teria mesmo como estabelecer comparações entre FHC e Lula: Serra não teria como explicar o inexplicável.

Bonner, agora, pergunta sobre a política de alianças do PSDB, citando e de quebra lembra as alianças em torno de Dilma. Cobra a assinatura da aliança ter sido feita por Roberto Jéferson, réu confesso do mensalão.  Serra: “Eu não tenho compromisso com o erro”. Diz que o PTB é antiga aliança em São Paulo. "Não farei loteamento de cargos. Isto é o que promove a corrupção. Rgos que ocupou nunca houve distribuição de cargos aos partidos".

O que Serra quis dizer com loteamento de cargos? O PTB não participaria de seu governo, caso fosse eleito? Darão apenas opiniões?  Como seria esta experiência, com apenas o PSDB no governo? Porque isto não acontece em seu governo, onde até o PV tem sua secretaria e demais cargos?

Fátima então faz a pergunta “polêmica”: Se Serra seria  “centralizador”. Que teria influenciado na escolha do vice; e sugere, brandamente que o vice não teria muita experiência. Serra responde que não é centralizador, e que Índio é experiente,  foi vitorioso em quatro eleições, três municipais e uma federal, é carioca, ajudou a aprovar a lei da ficha limpa. E encerra dizendo que ele, Serra, tem muito boa saúde, o vice não precisará assumir.

O genro do banqueiro Cacciola (preso no Brasil) Índio de Souza, homem forte no desvio de verbas da merenda escolar  quando secretário da administração do Rio de Janeiro (2001-2006) não é exatamente alguém reconhecido no cenário político brasileiro, não ao menos uma boa referência. Mas forte mesmo foi a insinuação sobre sua suposta boa saúde, numa referência cruel sobre o câncer já superado de Dilma.

Bonner, educadamente, refere-se às estradas de São Paulo,  que possui os maqis caros pedágios do país. Lembra que o Estado é dirigido há 16 anos pelo PSDB. Serra aproveita para elogiar as estradas paulistas e criticar as federais. Diz que não concorda com a forma das concessões federais, que 75% dos usuários acham as estradas de SP ótimas ou boas, contra 25% no país. Bonner pergunta se há um meio termo, ele responde que fará estradas boas sem ser caras,  exportando para todo o país o modelo que reduziu o pedágio da rodovia Airton Senna pela metade. Diz que nunca o Brasil esteve com estradas tão ruins.

Serra esquece de dizer que o modelo de privatização das rodovias foi o iniciado com FHC, que em seu governo entregou para a iniciativa privada 78,61 bilhões de dólares, claramente subfaturados, e que o governo Lula privatizou sete estradas federais. Se aplicados os parâmetros de privatizações de SP no país, os pedágios do Brasil no mínimo dobrarão de preço!

Gentilmente, Fátima interrompe Serra, que candidamente concorda. Ensaia sua despedida, lembrando da infância pobre, e afirmando que seus pais jamais imaginariam ver seu filho no Jornal nacional. Bonner interrompe, e Serra, cordatamente, encerra e entrevista.

Não fosse a postura das duas entrevistas passadas, poderia dizer-se que a de hoje foi uma educada troca de gentilezas. Quem não conhece, que acredite!