sexta-feira, 27 de maio de 2011

Que é isto, companheira?

Acabo de saber, pela TV, que a presidenta Dilma VETOU as cartilhas que se referem a diferentes orientações sexuais, com o argumento de que " o governo não fará publicidade deste assunto".
Sem entrar em detalhes, fico extremamente preocupada e decepcionada.
Isto quer dizer que nossos livros e cartilhas continuarão a mostrar as famílias heterosexuais, nucleadas, patriarcais.
Bem diferente da realidade.
Hoje as famílias são chefiadas por mulheres, por avós, casais gays adotam crianças.
E que bom que, num país onde milhares de crianças esperam por pais adotivos, existam pessoas querendo dar a elas um lar. Independente de sua orientação sexual.
Hoje existem famílias com dois pais, duas mães. Ou tias, tios, avós.
Hoje, o patriarcado já não é mais a única forma de constituir família.
Hoje, os afetos já tentam não se esconder.
Certo que a pressão de igrejas, direitosos de plantão e outros preconceituosos em geral devem ter feito uma pressão e tanto.
Mas não justifica.
Afinal, homos, trans e heteros, somos todos brasileiros.
E merecedores de respeito.
E respeito só acontece com a desmistificação dos estereótipos.
Daí a importância das cartilhas.
Porque tudo o que não conhecemos, com o que não convivemos, assusta. Ou no mínimo, é estranho.
Ô presidenta: Revisa esta posição!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Tinha 14 anos quando Janis morreu. Naquela epoca, as músicas levavam um bom tempo para chegar ao Brasil. Eu estudava pela manhã, mas dormia escutando um pequeno radinho de pilha, porque tínhamos hora para dormir. Raríssimas vezes ouvi Janis na rádio. Lembro de uma colega que escutava Janis e Pink Floyd
  pelos discos de seu irmão mais velho. Quando ela morreu (Janis), li uma nota rápida na então Folha da Tarde, que meu pai comprava todos os dias, e eu lia quando ele chegava à noite.
Naquele ano, 1970, muitas coisas aconteciam e poucas apareciam, dizia o irmão de minha amiga Martha (que nunca mais vi depois que foi para o Paraná).
Janis Joplin. Sempre.



sábado, 14 de maio de 2011

Crack, Oxi e Estratégias Policiais

Tempos atrás escrevi sobre o crack e sua difusão nas camadas médias da população. Lembro que foi quando uma mãe, moradora de um bairro nobre de Porto Alegre, matou  a facadas seu filho, dependente desta droga. Depois disto, e de outros casos em classes sociais mais altas, campanhas contra o crack surgiram, ou ao menos foram anunciadas e bem divulgadas. 
Quando escrevi sobre este fato, se não me engano em 2009, já há dez anos um jovem de um bairro da periferia de Porto Alegre havia morrido da mesma forma, usuário da mesma droga. Na época, mereceu algumas linhas do jornal sensacionalista do Estado.
Em todo lugar se fala do crack. Escolas, ONG's, TV, jornais. E os usuários estão em todo o lugar. Dia destes, ao deixar uma amiga em casa, duas e pouco da manhã, contamos ao menos uma dúzia de pessoas vagando pelas ruas, com a postura característica de usuários, sem camisa uns, descalços outros. Magros, olhar perdido, dispostos a qualquer ato por mais uma pedra. Qualquer rua pouco movimentada nas madrugadas destes últimos tempos exibe sua coleção dos "pervas" (perversos), fumando suas Zbritas". Por qualquer bar com mesas nas calçadas passam eles à procura de uma lata, de cinzas, pedindo moedas. 
Quem já passou por alguma das vilas ou pontos onde se acontece a venda de crack e outras drogas teve noção do "esquemão" que cerca estes locais. E do movimento de carros, pessoas, o comércio aberto.
O atual governo do Estado tem feito algumas ações de combate e repressão à droga. Apreendeu, inclusive, a nova mais funesta da atualidade: O oxi. Se não me engano, foram feitas poucas apreensões no país. São Paulo, Acre, Paraná e Rio Grande do Sul. Era sobre o oxi que eu pretendia escrever.
Por isto pesquisei, jornais e internet, ouvi noticiários. Se o crack já possui uma letalidade alarmante, a nova droga é ainda mais nefasta. E mais barata, ou seja, vem cumprir o papel de controle social originalmente destinado ao crack. Que, penso eu, surge como política de extermínio deste imenso contingente paupérimo, revoltado, circundando o ato infracional, majoritariamente negro, herdeiros daqueles que construíram a riqueza deste país depois de arrancados de sua terra. Junto com descendentes de imigrantes, expulsos das terras que já não alimentam tantas bocas, Terras que hoje engordam o latifúndio, a monocultura,
É, tudo tem a ver.
Aquela parcela que nem mesmo de exército de reserva de mão-de-obra serve, por falta de qualificação.
Que não se fixa em escolas, mas que almeja, como bem apregoa a sociedade capitalista, ao consumo de bens que, por seus próprios meios jamais conseguirão obter. Que em pleno crescimento econômico dele não consegue usufruir, que não tem nem casa, quanto mais computador ou telefone. Que nem mesmo os programas assistenciais atingem. Que não tem, além da vida, nada a perder. 
Voltando ao oxi, por enquanto, está, pelo queli, restrito aos bairros pobres. Mas é questão de tempo sua disseminação.
Ainda sobre os artigos, todos eles falam na prisão de traficantes, em desmonte das estruturas, restrição da comunicação dos presos que continuam coordenando o tráfico mesmo dentro de presídios de máxima segurança. 
Mas o que chama mesmo atenção é que, em nenhum dos artigos fala-se em reorganizar a polícia, reequipá-la, modernizá-la. E principalmente humanizar a polícia. E, acima de tudo, em nenhum momento, falou-se em coibir a corrupção policial, responsável pelo tamanho do tráfico e do crime organizado no Brasil.
Quanto ao oxi, as previsões são funestas: Enquanto esta droga não chegar à classe média, continuará sendo apenas matéria de jornal, e suas vítimas, mais dados nas estatísticas.Certamente, ficarei muito feliz em ver errada esta previsão. Mas não sei se terei esta alegria.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Nota da FEPAL Federação Árabe Palestina do Brasil



FORTALECENDO DEMOCRÁTICAMENTE AS COMUNIDADES PALESTINAS NA DIÁSPORA


RECONCILIAÇÃO PALESTINA: SÓ A UNIDADE GARANTIRÁ AOS PALESTINOS UM ESTADO E O RETORNO DOS REFUGIADOS


        A Fepal – Federação Árabe Palestina do Brasil, em nome desta comunidade residente no Brasil, recebe com júbilo o anúncio de reconciliação entre as 13 principais forças políticas palestinas, dentre elas Al Fatah e Hamas, pois entende que somente a unidade entre todos os palestinos, inclusive os que vivem na diáspora, será capaz de levar à criação de um Estado Palestino viável, com Jerusalém como sua capital, e ao retorno dos milhões de refugiados vítimas da limpeza étnica promovida pelo terrorismo de Israel nos anos de 1947 e 1948, quando de sua auto-criação.

        A divisão de nosso povo era um trunfo daqueles que sempre opuseram obstáculos à viabilidade nacional palestina, em especial os últimos governos extremistas de Israel, que mantêm os confiscos de terras palestinas, a colonização ilegal que judaízam toda a Palestina e em especial Jerusalém, que constroem o imoral muro de segregação e que promovem a anos todos os expedientes com vistas a tornar impossível a vida de nosso povo.

        Nossa unidade, além de anseio desde a muito expressado por nosso povo, é também uma vigorosa e responsável resposta de estima pela comunidade internacional, que massivamente reconhece o Estado Palestino – mais de 140 dos 192 países-membros das Nações Unidas já o reconhecem – às portas de nossa iniciativa, em setembro, na ONU, que buscará a declaração de sua criação em definitivo.

        As minoritárias e insignificantes reações contrárias à unidade palestina partiram unicamente do atual governo de Israel, um notório inimigo da paz. As ausências de eco no seio da comunidade internacional às irresponsáveis declarações negativas de Israel nos servem de alento quanto ao caminho da unidade, a ser perseguido também na diáspora, onde importantes comunidades palestinas têm muito a contribuir na consolidação da construção do Estado Palestino.

        A FEPAL saúda, também, o novo momento vivido no Oriente Médio, do qual reputamos tenha resultado o atual acordo, celebrado no Cairo, capital do Egito, país que vive importante momento de sua história e que certamente colocará seu capital moral e político em favor da manutenção da reconciliação alcançada e do objetivo final desta: a criação do Estado Palestino, viável e contíguo, seguro e democrático, com Jerusalém sua capital.

       Vida digna para a Gloriosa Nação Árabe!

       Federação Árabe Palestina do Brasil - FEPAL

domingo, 8 de maio de 2011

Comentário procedente:

Falou e disse

Depois de dez anos, duas guerras, 919.967 mortes e 1,188 trilhão de dólares, conseguimos matar uma pessoa.

Michael Moor

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Bin Laden e o nacionalismo estadunidense

Então, dizem os noticiários, Bin Laden morreu.
E poucas vezes, nos últimos anos, assistimos nestes mesmos noticiários a exacerbação do nacionalismo ianque. Bem diferente das manchetes de 2009, quando a crise econômica mostrava casas abandonadas, pessoas morando em carros, nas ruas, empresas falindo, bancos quebrando. Teria mudado tanto assim a conjuntura social e econômica naquele país?
Hoje bandeiras dos E.U.A. agitam-se frenéticas nas mãos de jovens nas escolas e niversidades, grupos usam como palavra de ordem a sigla de seu país. 
Reafirmação de soberania? Não, nada de soberania e patriotismo nisto, penso que a massa que vibra com a possível morte daqueles que consideravam seu principal inimigo peca, pelo menos, em comemorar uma morte, seja ela de quem for. Festejam sim mais uma operação invasiva e desreipeitosa, que sequer, conforme a mídia, informou o governo paquistanês que entrariam em seu território.
Desde 2001 aquele mal-explicado atentado às torres gêmeas, com soldados morrendo no Afeganistão e no Iraque, desde que o republicano Bush perdeu o governo para os democratas, a auto-estima nacional andava em baixa. Depois veio Obama, com a esperança de dias melhores que nunca chegaram.
Para Obama, nada mais adequado: Para um país despedaçado pela crise econômica que persiste, enterrado pelas necessidades de consumo artificialmente criadas e dificilmente cumpridas e que vê cada vez distante o tão propagado sonho americano, encontrar um ponto de identidade comum em seus cidadãos é quase um milagre, é uma sobrevida.
É uma nova guinada ao sentimento nacionalista tão explorado pelos democratas estadunidenses. Um bom tema para ser explorado na próxima campanha eleitoral, é um bom aval para a continuidade das ações militares, justifica a continuidade das tropas no Afeganistão e Iraque, aos ataques à Líbia, onde bairros são bombardeados e civis tem sido mortos, tudo em nome o combate ao terrorismo.
Assistindo àqueles jovens gritando - U.S.A., U.S.A!, lembrei imediatamente de outras manifestações estadunidenses. Aquelas onde homens de capuzes brancos, empunhando tochas, perseguiam e massacravam negros, comunistas e outros possíveis inimigos. Tudo, justificadamente explicado pela necessidade de defesa do modelo de vida e consumo perfeitos. Em defesa da moral, da propriedade, da continuidade do sistema. E assistindo aos noticiários, uma entre várias outras questões sobressalta aos meus olhos: Qual nação será a próxima vítima dos estadunidenses em defesa da liberdade e da paz?