quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Palestina: Pelo Reconhecimento do Estado!

Em 20 de setembro, no mundo todo, ocorrerão manifestações a favor do reconhecimento do Estado Palestino.
Esta data foi escolhida em função da solicitação que será apresentada pela OLP (Organização pela Libertação da Palestina) à ONU.
A origem do Estado de Israel serviu principalmente aos interesses dos E.U.A, servindo como base militar no Oriente Médio. Desta data em diante, fronteiras demarcadas foram sendo ampliadas, enquanto o povo Palestino sofria sistematicamente invasões, chacinas e outros tantos atos de violência.
"O reconhecimento do Estado Palestino é aspiração de todos aqueles que lutam pela liberdade e reconhecimento do direito à soberania dos povos", disse Fátima Ali, Presidenta do Comitê Gaúcho de Apoio ao povo palestino. Filha de Ahmad Ali, palestino em diáspora desde 1957, Fátima faz parte da direção da FEPAL, Federação Árabe Palestina do Brasil.
Milhares de palestinos vivem hoje fora de sua pátria. No RS são cerca de 25 mil. 
Mas os que ficaram em sua terra sofrem, desde 1948 todo o tipo de violências. A expulsão de suas casas,
a invasão com fins de  criação de assentamentos de colonos israelenses, a construção do muro, as violentas revistas a que são submetidos os palestinos nos check-ins para circularem pelo território são apenas algumas das barbáries a que este povo tem sido submetido.
Os palestinos já sofreram, desde a criação do Estado de Israel, 57 invasões. Cidades são bombardeadas, sem distinção de crianças, civis ou qualquer outra classificação. O Estado de Israel deve responder pelos crimes cometidos, pelo genocídio cometido contra um povo que defende-se com pedras das bombas de última geração, fornecidas por aqueles que, acima de tudo, querem o domínio do petróleo e do gás natural abundante na região próxima.
"Em Porto Alegre, está sendo chamada uma reunião em 8 de setembro para organizar o ato. Centrais sindicais, partidos, entidades do movimento social estão sendo convocados", diz Fátima. E reafirma: "Nossa luta não é contra o povo judeu, mas sim contra o imperialismo e o Estado terrorista de Israel. Muitos israelenses apoiam nossa luta. Mas a imprensa faz questão de apresentar nosso povo como terroristas. Não é verdade. Queremos apenas nossa terra, de onde nunca saímos por vontade própria. Queremos nossa dignidade, nosso direito à vida".
O local ainda será divulgado, mas várias entidades já confirmaram sua participação. O ato, no RS, deverá acontecer em 19 de setembro, em função do feriado da Revolução Farroupilha. 
Logo divulgaremos mais informações. Mas certo é que todos e todas defensores da justiça e da liberdade deverão comparecer. Afinal, SOMOS TODOS PALESTINOS!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Governo Tarso propõe aumentar a jornada!


Governo Tarso: Na contramão da história!

Nem frio nem chuva; Os trabalhadores de base, representantes de área, de todas as fundações acompanharam hoje a negociação entre SEMAPI (trabalhadores das Fundações Estaduais) e SESCON (patronal, que representa o governo),
Centenas de trabalhadores concentraram-se em frente ao SESCON, aguardando as respostas do governo à pauta de reivindicações apresentada pelo SEMAPI.
Para triste surpresa dos trabalhadores, apenas alguns poucos itens, que não representam repercussão financeira,
foram atendidas. Entre elas, itens que, judicialmente, são conquistados. Como o reconhecimento de união estável para fins uso de cláusulas sociais, independente do sexo. 
De avanço, o aumento da licença-maternidade para 180 dias, e da paternidade para 8 dias.Outro avanço foi a retirada do escalonamento da licença-saúde (independente do tempo da licença, os vales-refeição serão fornecidos aos trabalhadores).
Mas quando chegou a hora de discutir índices, o Governo Tarso propôs índice ZERO, com discussão arrastada para novembro. Do reajuste solicitado, de 11,6%, o mesmo concedido ao piso regional, nem ouvir falar. E mesmo o INPC do período, 6,44, não foi concedido.
Mas pior foi a proposta INDECOROSA do governo de aumentar a jornada dos trabalhadores da FASE e FPE.
Estas duas fundações trabalham em turno de revezamento. Quem trabalha de dia, cumpre 40 horas, sendo 6 horas diárias e um plantão de 12 horas no sábado ou domingo, o que soma 42 horas Quem trabalha à noite, faz a jornada de 12X36.. O intervalo legal, que é de duas horas, em alguns institutos e abrigos, é pago em horas-extras, dependendo do humor e da compreensão de cada direção. 
Ocorre que, na prática, é impossível fazer intervalo, sob pena de sobrecarregar o colega, ou provocar situações de conflito entre internos e abrigados.

Trabalhar 15 horas/mês sem receber!
A proposta INDECENTE do governo foi de estabelecer turnos de 12 horas, dia e noite, com o pagamento de uma hora-extra. A outra hora seria simplesmente trabalhada, sem remuneração. Além disto, desorganiza a vida do trabalhador que pretende estudar, fazer cursos ou estabelecer qualquer outra atividade.
Ou seja: Na contramão da história, o governo eleito como popular, apresenta uma proposta que nem mesmo seus antecessores neoliberais tiveram coragem de apresentar.
A vaia recebida pelos negociadores do governo foi proporcional à decepção. Um governo eleito no primeiro turno, com o discurso de valorização do trabalhador, do fortalecimento de nossas Fundações, apresenta-se agora como um déspota que não reconhece o valor daqueles que constoem o Estado, desempenhando funções sociais indispensáveis, inclusive constitucionalmente.
Por isto, dia dois de setembro é FUNDAMENTAL a participação de todas e todos na próxima negociação.

A categoria não aceita!
Estaremos todos lá! Com nossos apitos, de camisa preta em luto pela ilusão que morreu. Torcendo para que Tarso reflita e relembre de suas falas da campanha eleitoral. Antes que caia na vala comum daqueles que prometem e não cumprem, e mudam de cara quando chegam no poder.
CAI NA REAL, TARSO: NÓS TE ELEGEMOS,  PODEMOS NÃO TE REELEGER...



Governo Tarso: Respeite a data base: 
Reajuste já!



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sobre Kadaffi

Enfim, as forças da OTAN e outros invasores conseguiram derrubar Kadaffi. Na atual recessão estadunidense, grande mercado para "reconstruir" o que destruíram.Sem falar do Petróleo, lógico.
Estranha esta democracia yanque: Se não pensar como eles, não concordar com suas premissas, se não ceder e abdicar de sua soberania, se quiser manter sua cultura, qualquer povo passa a ser bárbaro, qualquer dirigente um déspota, qualquer nação uma ditadura.
Com a imensa dívida estadunidense, sua violenta crise, com o "american wave" se desmanchando, nada melhor do que poder dizer que sistemas piores estão por aí.
Então invadem um país, insuflam e armam meia dúzia de rebelados, despejam milhares de mercenários que vivem justamente dos horrores da guerra. Pisoteiam a soberania do povo, e com a conivência da mídia marrom, gritam que finalmente a tal "liberdade" chegou para transformar mais uma nação em  colônia.

Saindo um Pouco do Sério

Teria toda a Marcha das Margaridas para comentar, e o farei. Teria, e tenho, histórias da viagem, aprendizado, a postagens das fotos, que por sinal não ficaram muito boas. De como se viaja de ônibus, dorme em alojamento, entra na fila para comer, usa banheiro químico e convive com as diferenças culturais sobre como se usa banheiros. Como se escova dentes sem pias. Como se caminha quilômetros, num mar de mulheres e homens de lugares diferentes, aquela profusão de sotaques, de entendimentos...
Teria toda a emoção que me lembrou o Comício das Diretas JÁ, que me fez chorar ao ouvir o Hino Nacional. As filas intermináveis que eram apenas filas, das camaradagens encontradas, do formigueiro em que se transformou o Parque da Cidade, em BSB. Quase 100.000 homens e mulheres de todos os cantos, etnias, formações, ofícios, idades, culturas.
Falarei disto mais tarde.
Desculpem a heresia os mais ortodoxos, mas agora só tenho palavras para a bicicleta de Leandro Damião.
Mas deixem estar, daqui a pouco volto a falar na marcha. Porque falar sério, o Inter com 10 em campo, o juiz "comendo" três pênaltis, o Flamengo cheio de marra e o Ronaldinho mais ainda, um gol destes, estou falando sério sim. Meu time, nestas condições, inda mais jogando com um ex-gremista, tira por instantes qualquer outro assunto da pauta. Por alguns momentos. Mas tira.
Amanhã eu falo sobre a emocionante, preciosa, maravilhosa Marcha das Margaridas 2011.
Hoje, sou a emoção de ser INTERNACIONAL.

domingo, 14 de agosto de 2011

A GUERRA QUE NÃO QUEREMOS VER



Ao lado, foto de uma cela de uma das casas da FASE RS. Os adolescentes não estão identificados, como pede a lei.

Uma verdadeira guerra civil acontece hoje no Brasil. Uma significativa parcela da população sequer alcança as políticas sociais e afirmativas implementadas a partir de2003. E mesmo as pessoas que usufruem algumas destas políticas não pode ser chamadas de cidadãos. A outra parcela, incentivada pela mídia, sente-se refém do crime, clama por punições rigorosas, fecha os olhos à raiz da violência. O moralismo ocidental-cristão diivide a população entre os bons e os maus.
Em meus vinte anos de trabalho como monitora da antiga FEBEM, hoje dividida em FASE (para infratores) e FPE (para risco ou vulnerabilidade social), presenciei situações que a imprensa não mostra. Um exemplo recente: Três irmãos, de 11, 12 e 15 anos envolvidos em pequenos atos infracionais recolhidos à abrigagem. Família de treze filhos. Dos outros, duas irmãs, anteriormente abusadas pelos irmãos mais velhos, hoje vítimas de exploração sexual, um irmão no presídio, outros dois na FASE.  Moravam num casebre sem banheiro, uma única peça, uma única cama onde dormia quem coubesse. Os outros, no chão. Quando receberam o “kit ingresso”, estranharam as escovas de dentes, que nunca haviam usado. E ficaram maravilhados quando viram a prateleira de frutas com bananas, laranjas e maçãs. “Parece um supermercado!” Ato infracional: Cometiam pequenos furtos ou “pediam” nos bairros próximos.
Toda uma camada social classificada como “abaixo da linha da pobreza”, os miseráveis, sofrem igualmente os apelos do capitalismo ao consumo. Para um adolescente pobre, dos poucos que conseguem trabalho formal e recebem seu salário mínimo com os descontos legais, olhar uma vitrine e ver que um par de tênis que pode custar mais do que recebe por um mês de trabalho, desejar usar o desodorante, usar a calça, o boné que outros usam e ver que, na mesma vila ou favela onde moram outros adolescentes tem tudo rapidamente aponta uma saída imediata: O crime. Seja pelo furto, o roubo ou o mais rentável: O tráfico.
O tráfico tem plano de carreira, remuneração generosa e dá ao menino um status dentro da comunidade. Ninguém se mete com família dos agregados ao grupo. O caminho é curto, e a vida deles também: Em média, morrem antes dos 24 anos. Tenho uma foto, tirada em 1993 com quinze adolescentes que cumpriam medida no antigo Instituto Central de Menores. Em 1998, todos menos um já haviam morrido. Bala de polícia, de “contra”, disputa de territórios. Cerca de 70% dos adolescentes hoje cumprindo medida na FASE estão ligados ao tráfico. A grande maioria,  usuários de crack. Passaram os tempos da maconha.
A ideologia capitalista ao mesmo tempo em que impõe o consumo exige que esta vasta parcela da população se submeta a não consumir. É a velha máxima da saída individual, da força de vontade, do querer é poder. E as doutrinas religiosas pregando a submissão, reproduzindo estes valores,a régia recompensa na outra vida. Afinal, as igrejas também tem plano de carreira: fiéis, obreiros, pastores. E os adolescentes espremidos entre o apelo de consumo e a falta de dinheiro.
A maior parte das vilas e favelas tem toque de recolher, lei do “não vi nada”, e quem manda é o patrão. É ele quem resolve o que o Estado não resolve. Mantém a ordem, resolve os  casos de litígio entre moradores, providenciam o carro que leva a grávida ao hospital, arruma o gás que faltou, pune severamente o estuprador, o ladrão que rouba na comunidade. É o Estado paralelo ao Estado. E claro, suborna o policial, a autoridade ou o magnata que nunca pisou na vila mas distribui a droga distribui a droga. Que não  não nasce na favela.
Alguém já viu uma fábrica de armas dentro da favela? Uma plantação de maconha? Uma refinaria de cocaína, um laboratório de êcktasy? Não, tudo isto vem de fora. Mas quando a droga mata um filho da classe média, a imprensa se revolta. Cerca de dois anos atrás, uma advogada, moradora de um dos bairros mais nobres de Porto Alegre matou o filho viciado em crack. O fato teve repercussão nacional, e a partir dele surgiu a campanha da RBS, filiada à Globo “Crack nem pensar”. Mas uma semana antes, uma outra mãe, esta de um dos bairros mais pobres da cidade, a Restinga, também havia matado o filho. A advogada agiu sob violenta emoção, nem sequer foi detida. A outra mãe cumpre pena. O crack, criada nos guetos latinos e negros dos EUA, arma eficaz da política de extermínio da juventude pobre, quando extrapola os limites dos guetos, passa a ser uma ameaça letal. Antes, era só mais uma das drogas de miseráveis, moradores de rua e marginais.
Nas favelas e vilas, sob forte apelo midiático, sai o tráfico e entram as milícias. Que, em não tendo vínculos com a comunidade, com estilo militaresco, reproduzem a violência sem trazer as compensações. A imprensa saúda a saída dos traficantes, mas ignora as milícias. A segurança, a saúde, a educação, obrigações constitucionais do Estado, passam para a iniciativa privadas. Quem pode, paga. Quem não tem para pagar, pena. Tudo é privatiizável, incluindo as cadeias. Que não ressocializam, não capacitam, mas manteém os indesejáveis fora de nossas vistas. A miséria deve ficar fora de nossas vistas, como os índios, as crianças exploradas sexualmente, o trabalho escravo.
Concluindo, vivemos a segunda idade média, com as maltas de miseráveis perambulando pelas periferias, recolhendo migalhas, ameaçando o direito auto-concedido dos que tem muito, enquanto encastelam-se atrás de sistemas de segurança privada, carros blindados, usufruindo de serviços privados, e pagando salários miseráveis aos miseráveis que se submetem a esperar por uma chance de ascenção social que lhes é acenada mas nunca concedida.
A violência social pode ter fim: basta o Estado cumprir efetivamente suas funções e ter coragem para realizar uma efetiva redistribuição de renda. Fora disto, nos resta a barbárie, mas esta, já estamos vivendo.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A crise deles de cada dia

O Boletim Carta Maior traz um especial sobre a crise que assola os "ricos" e "democráticos" países do norte. Enquanto assistimos a derrocada do capitalismo, que se traduz num verdadeiro massacre social de seus povos e nem assim desiste da receita neoliberal de arrocho, corte de direitos, supressão de políticas públicas, encontramos os ditos emergentes sendo chuviscados pela crise criada pelos antes ditos poderosos. Mas só chuviscados, mantendo seu crescimento.
Ecoonomias européias afundadas em crises, queda vertiginosa das bolsas, povo nas ruas protestando contra o desemprego e o corte de direitos fundamentais... Alguém já não havia falado em SOCIALISMO OU BARBÁRIE?
Reproduzo abaixo algumas linhas de um ótimo artigo de Michael Moore. 
O link para o texto:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18194


* Os super-ricos vão fazer muito, mas muito mais dinheiro e o resto de vocês vai se digladiar pelas migalhas deixadas pelo caminho.

* Todos devem trabalhar! Mãe, Pai, os adolescentes, na casa! Pai, você trabalha num segundo emprego! Crianças, aqui estão as suas chaves para vocês voltarem para casa sozinhas! Seus pais devem estar em casa na hora de pô-los para dormir. 

* 50 milhões de vocês devem ficar sem seguro de saúde! E para metade das companhias de seguro: vão em frente e decidam quem vocês querem ajudar – ou não.

* Os sindicatos são maus! Você não será sindicalizado! Você não precisa de um advogado! Cale a boca e volte para o trabalho! Não, você não pode ir embora agora, não terminamos ainda. Suas crianças podem fazer seu próprio jantar.

* Você quer ir para a faculdade? Sem problemas – assine aqui e fique empenhado num banco pelos próximos 20 anos!

*O que é “aumento”? Volte ao trabalho e cale a boca!


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Cidade de Deus e Simonal.

Assistindo Cidade de Deus, pela enésima vez, lembrei de muitas coisas, passadas, presentes. E de uma música que cantei nos anos em que nem imaginava que existisse, sobre Simonal, as dúvidas que até hoje persistem.
Cidade é, cada dia, mais atual. Das crianças trabalhadoras do tráfico (sim, elas trabalham, muitas horas, no que consideram emprego e carreira. Afinal, o tráfico tem plano de carreira!). Sim, as guerras do tráfico matam quem nem tem nada a ver com isto. Sim, ainda hoje, num Brasil bem melhor do que das décadas passadas, ainda não tem trabalho, escola, saúde, moradia entre outras coisas para muito brasileiro.
Pode parecer repetitivo em minhas falas, mas a miséria é tão presente em meu trabalho... E, quanto a Simonal, lembra coisas tão boas de minha adolescência que até hoje me é difícil entendê-lo como traidor. Mas certamente a ditadura contribuiu para este Brasil-miséria que até hoje persiste.
Ditadura, capitalismo, neoliberalismo, miséria, degradação humana... tudo a ver.
Para amenizar, Marcelo D2. Cantando Simonal.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

CEBRAPAZ realiza oficina de formação em Porto Alegre

 Hoje, 5 de agosto, iniciou a oficina de formação do CEBRAPAZ - Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz - na Assembléia Legislativa do RS. Entre os convidados, Sérgio Macedo(advogado ambientalista),  Walter Oliveira, (doutorando em Ciências Políticas da UFRGS)Roberto Lorea (Juiz Titular do Juizado da Violência Doméstica e Familiar), José Vieira Loguércio (Doutor em Ciências Políticas pela UFRGS), Regina Abrahão (Sindicalista, dirigente nacional do CEBRAPAZ, Mara Loguércio (Juíza do Trabalho), Ricardo Rasbaert (presidente da Associação José Martí).
As mesas foram: Histórico da Luta e da Paz, por Rubem Diniz, dirigente nacional do CEBRAPAZ, Sociabilidade e valores Humanos, Inclusão legal e Direito dos Povos à Paz.
Gostaria de reproduzir todas as falas, mas farei citações das que considerei mais impactantes: Do Juiz Lorea, quando cita que Porto Alegre não dispõe de estrutura para o cumprimento da lei Maria da Penha. As medidas  protetivas não contam com efetivo da BM para cumprimento, não existem casas de passagens ou abrigos, as mulheres muitas vezes procuram ajuda , como tratamentos para alcoolismo e drogadição, e não exatamente punição para os maridos ou separação. Roberto Lorea destaca ainda que o custo da violência doméstica equivale a 10% di PIB. Em média, são cinco dias por ano que mulheres faltam ao trabalho por esta causa. 43% das mulheres sofrem violência doméstica, ou seja, uma mulher é agredida no Brasil a cada 15 segundos.
José Loguércio falou sobre a paz, que ele classifica como o direito dos povos ao respeito a sua soberania.   Explicou que o capital hoje pode ser classificado em capital estatal e capital financeiro, de onde saem os derivativos produtores de juros, ou seja, o capital improdutivo, que não produz, e é fator importante na atual crise da Europa e Norte da América.
Segundo ele, o mundo pode ser classificado em quatro regiões: Ásia e sul da África, regiões em crescimento, onde o capital é estatal ou uma fusão estatal/financeiro. Esta região cresce em média 7% ao ano. A segunda, o norte da África e Oriente Médio, em crise causada pela ganância do capitalismo visando suas riquezas naturais.
Em terceiro, a Europa, América do Norte e Japão - que sediam o capital financeiro, produtor de juros e atualmente em crise que não conseguem superar justamente por isto. Por fim, América Central e do Sul, onde existe uma dualidade, ou seja, o capital serve tanto aos programas estatais quanto ao capital financeiro, em graus variados, dependendo dos países e governantes.
Ainda segundo ele, com a derrocada financeira dos países do norte, a tendência do século XXI é a paz. Não podemos deixar de lembrar que do dito capital estadunidense, 200 bilhões são dinheiro brasileiro, 30 trilhões é capital chinês, entre outros credores.
José conclui dizendo: " A bandeira da Paz é a bandeira da soberania das nações, e hoje a possibilidade da construção de um Estado Palestino é prova concreta que inclusive a ONU deverá evoluir em suas decisões."

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Brasil-Haiti

Planejando uma oficina onde deverei falar sobre paz, lembrei da guerra civil que vivemos no Brasil. No Brasil, No Haiti, em qualquer lugar do mundo, já que esta catástrofe chamada imperialismo está impregnada em todo o planeta. E em quantos miseráveis são necessários para que poucos possam consumir, desperdiçar, exibir sus três coleções de moda a cada trimestre. Em quantas crianças devem ser forçadas a trabalhar, em quantas meninas devem sofrer abuso e exploração  para que poucos doentes possam se satisfazer. E em quanto lixo deve restar para que o capital continue produzindo o desnecessário para viver, mas fundamentar para manter sua acumulação de capital. 
Pensei na invisibilidade dos bilhões de infelizes, famintos, doentes e esquecidos, e na exposição dos raros favorecidos pela fortuna, fama e glamour.
Lembrei de desnutrição, epidemias, ausência de políticas públicas. Da corrupção e do descaso.
E de como tudo isto torna-se cada vez menos impactante. 
De como parece distante, mesmo estando em nossas portas, esquinas, em qualquer noticiário.
E da eficiência do capital, que nos faz parecer a miséria tão natural.
Montei este pequeno vídeo com imagens minhas, da rede, de noticiários.
E música de Caetano Veloso, nos tempos em que a luta social ainda o interessava.
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