segunda-feira, 7 de outubro de 2013

De Olho no Brasil

Parece que voltamos à guerra fria. Canadá e EUA continuam a espionar o Brasil. Agora abertamente, sem escrúpulos ou respeito, interferindo ostensivamente na política e economia, vigiando políticos incluindo a Presidenta Dilma. Óbvio que o interesse maior é nosso petróleo, nossas jazidas, nosso manancial de água e biodiversidade.
Ou estarão, quem sabe, bisbilhotando nosso território em busca de algum tipo de armas químicas? Qualquer desculpa apresentada pelos falidos EUA pode ser apresentada. Em verdade, a indignação tem em sua base a própria inoperância de apropriação dos recursos dos países que eles, mesmo relutantes, chamam de "em desenvolvimento". 
Durante séculos as Américas sustentaram a nobreza européia e suas extravagâncias. As Américas Latina e Central mantiveram esta triste condição. Mais tarde, a partir do fim da Segunda Guerra,  a espionagem e as negociatas impostas às ditaduras que ajudaram a implementar mantiveram, por bom tempo, o sonho americano: Consumo e desperdício. As extravagâncias, a imposição de sua cultura e ideologia foram custeadas, em grande parte, pelos juros das dívidas de empréstimos suspeitos. O uso do petróleo como modelo energético sofreu um baque nos anos 70, com o aumento de preços do mercado do Oriente Médio. O petróleo comprado de países atrelados aos EUA tinha seu preço fixado pelos próprios EUA. O que era primeiro mundo, na virada do século, virou caos, falência, desemprego e crises. Como parasitas, dependem da exploração alheios para sustentar um mmodelo econômico falido.
O que fazer isto, então? Espionar o Brasil, nossas reservas, nossas jazidas. Buscar logo um bom motivo para controlar nossa riqueza. Logo, estaremos sendo tratados como país aliado ao terror.
Porque, vamos combinar, não é por falta do que fazer que os vizinhos pobres do norte nos espionam. Penso que nossa reação está muito leve. Este tipo de ofensiva contra nossa soberania merece medidas bem mais drásticas.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

O tesouro da Lagoa

O frio, quando acorda a lagoa, trata sempre de primeiro enrolar suas espumas no manto opaco da cerração. Os barcos se aprontam com suas redes e anzóis, o peixe esta época já está crescido e pronto para o fogo. Milênios passam, e o peixe continua dando sustento aos ribeirinhos. Não mais como antes, no tempo e fartura; Hoje poucos respeitam a piracema, não há tempo para procriarem. E também tem a sujeira, o lixo, o esgoto e a porcaria industrial murchando os juncos e outras plantas, arrancando o resto de ar da água apodrecida.
Mas ali, onde falo, ainda restam alguns juncos, alguma espuma branca e tainhas gordas. Manhãzinha já começa o trabalho. Melhor que não tenha chuva, porque a cerração baixa com o sol.
As casas para trás do centrinho, ainda madeira sem grades. Telhados desprotegendo os caibros da madeira de pouco mais de duzentos anos. O velho e pioneiro porto que a cheia de 1941 levou, era lá que chegavam pessoas, mercadorias, guerra, mortes. Uma guerra que não era nem daqueles açorianos, nem daqueles negros, nem dos guaranis. Uma guerra que, dizem, deixou navios, canhões e riquezas no leito da lagoa.
Por ironia, os espanhóis religiosos que lá tentaram se estabelecer por volta do ano de 1600, foram expulsos pelos guaranis.  Mas deixaram a base de pedras onde foi construída a Fortaleza que também não vingou.
Aquela terra é inquieta, rebelde. Não aceita sua depredação. Quem diria que expulsaria terrenos e loteamentos já instalados para retornar a ser mato? Quem se atreveria hoje a desafiar os profundos poços das pedreiras violentadas?
Aquela água é sólida, é uma imensa e maciça construção de suas diminutas gotas, aquele vapor imperceptível a quem não lhe presta atenção. Aquela água toda, aquelas marolas, ou as ondas em dias de tempestade, seja no calor ou no frio, aquela água nos leva, embala, revela.
Mas não se descuide: Nunca deixe ou leve sua alma inteira. A lagoa precisa de um tantinho de nossa alma, assim como precisamos dela, de suas gotas, de seus grãos de areia. A tentação de entregar nossa alma inteira pode nos tornar parte indissociável dela. E negar nosso pedaço de alma certamente nos privará de seus encantos.
A lagoa é nossa medida. E ela nos escolhe meticulosamente entre as centenas de seres que infestam sua água, sua areia, seus juncos. Não, nada de critérios mundanos, nada de ouro. Nada de castidade absoluta, nada de seres dedicados as lides espirituais. Seus critérios são outros, e eu não os entendo. Mas já conheci outros prediletos da lagoa. E todos nós conhecemos esta escolha.
Mesmo com toda a movimentação que já houve por lá, por vezes dá para sentir as naus chegando, com imigrantes que mal passavam de meninos e meninas, ansiosos, com medo, a angústia do desconhecido. Certa vez me pareceu ver uma fila de pessoas andando rigorosamente em ordem. Não durou um segundo, mas entendi que estava percebendo os japoneses chegando à região, onde desenvolvem um belíssimo trabalho de agricultura familiar.
Algumas noites de céu limpo e vento sul, com atenção, podemos ouvir os lamentos das almas dos afogados. Dos que ousaram aquela morte terrível, e dos que se igualam pela busca incansável dos tesouros que pensam achar.
A lagoa, seu leito, suas águas, suas matas, suas pedras, tudo isto faz parte do tesouro. Mas o mais valioso de tudo é entender que nossas almas fazem parte dela e ela de nós. O privilégio de conhecer, entender e sentir a lagoa.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Não Mexe Comigo, Moço!

"Não mexe comigo, moço,
Que eu não mexo com ninguém,
Se mexer comigo leva,
Se mexer comigo, tem"

Hipertensa, recém ex-fumante, já havia sido convidada para um programa que reúne pessoas com estes problemas. Em reuniões semanais são discutidas alternativas para melhorar a qualidade de vida, tratar da abstinência, mudança de hábitos e outras medidas.
Hoje resolvi conhecer o trabalho. Recebida com cordialidade, observei que a dinâmica constava de depoimentos e aconselhamento. Interessante. 
Quando convidada, fui informada que os participantes deveriam evitar discussões polemicas, e que discriminações de nenhum tipo seriam permitidas. Achei ótimo. Realmente, na primeira meia hora as discussões se concentraram na pauta, ou seja, saúde. Até que um participante, ao reclamar que não havia um dos medicamentos de uso contínuo no posto onde faz seu tratamento, resoveu incluir reclamações sobre os baderneiros que estão saqueando o país. E emendou em seguida que a culpa é da Presidenta Dilma, que odeia petistas e comunistas. E aí não era ainda minha hora de falar, mas abri o grito. 
E disse que não admitiria que este tipo de insinuação fosse feita contra uma Presidenta legalmente eleita pelo povo, que não admitiria este tipo de atitude. Que se ele quisesse ser um formador de opinião a serviço da direita, que fosse procurar outro espaço. 
Definitivamente, sempre tive boa voz e em bom volume. O impacto foi forte, o coordenador do trabalho aparentou surpresa, mas rapidamente tomou a palavra, afirmando que os participantes deveriam aguardar sua vez, e assim falar de problemas ou angústias interferentes em seu tratamento. E depois concluiu dizendo que também ele é antipetista e anticomunista, mas que realmente, não deveríamos discutir política no ambiente. E que se estas regras não fossem seguidas, poderia me indicar outro grupo.
Claro que respondi que eu sou anti-direita, anti-fascista e anti-nazista. Mas que não discutiria política naquele espaço por respeitar regras e opiniões dos demais. Disse também que a possibilidade de recomendação de outro grupo fora órima, decisivaq para... fiz uma pausa e continuei: Ficar naquele espqaço mesmo.
No decorrer da reunião recebi manifestações desolidariedade de muitos outros hipertensos e fumantes (ou e-fumantes). O causador da discussão foi embora antes do final. E na saída, fui convidada por várias pessoas a voltar.
Mas nem precisava convite. 
Na verdade, enquanto discuti com os direitosos, rodava em minha cabeça uma antiga ladainha da capoeira regional: Não mexe comigo moço, que eu não mexo com ninguém...


domingo, 7 de julho de 2013

Mercado Público: Destruição ou Desleixo?


Soube do incêndio do Mercado Púbico de Porto Alegre pelo Facebook. Em segundos pululavam informações, perguntas, dúvidas, notícias improcedentes. Assisti via internet imagens da imensa e escura fogueira. Ouvi, pelo rádio, pérolas como "um bombeiro entrou para dentro", além das controvérsias. Uma emissora falava em destruição total, outra dizia que poucos estabelecimentos haviam sido queimados.
Ouvi também informações sobre hidrantes desativados, falta de escadas em condições, caminhões particulares levando água, mangueiras que desperdiçavam mais do que apagavam o fogo, de tão velhas.
Surgiu
a notícia de que a causa fora a queda de um raio, houve gente no twitter afirmando ter assistido.
Em seguida começaram os debates partidários, isentando, responsabilizando, e lá vem... A Copa!
Obviamente um monumento como nosso Mercado será recupperado para a copa. O Marco Zero de Porto alegre é o Mercado.
Lembro do tempo em que não era coberto, haviam algumas salas e muitos gatos. Lá era sediada a FRACAB, Federação das Associações de Moradores e Amigos de Bairros, entidade importantíssima para o movimento comunitário na década de 80.
Depois do último incêndio, a cobertura, reforma e melhoria dos bares. Mas sempre com problemas: Banheiros sem fechaduras nas portas, escadas rolantes que não rolavam. Mas o Nosso Mercado.
Tristeza imensa, indignação, dispisição inusitada para acompanhar a apuração das causas.
Mas posso afirmar que nem eu nem Porto Alegre aceitaremos um Mercado "Ligth", diferente de sua tradicional vocação

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Comunicado da Marcha Mundial de Mulheres

11 de julho: Dia nacional de luta!
O povo nas ruas muda o mundo!
Companheiras,
Vários movimentos sociais em conjunto com organizações sindicais e partidos coordenaram nas ultimas semanas uma agenda em comum para convocar uma grande paralisação nacional no próximo dia 11 de julho.
São 11 pontos de reivindicação entre os quais se somam alguns apresentados pelas Centrais sindicais e outros elaborados pelos movimentos sociais. Além disso, há seis pontos de denuncia que expressaremos nas ruas.
É muito importante que em cada estado a Marcha se some às mobilizações e paralisações convocadas para esse dia. Se no seu estado ainda não há uma convocatória nas ruas procure outros movimentos sociais e a CUT para se informar.
Iremos às ruas por:
1. Transporte público de qualidade
2. Reforma política e realização de plebiscito popular;
3. Reforma urbana
4. Redução da jornada de trabalho para 40 horas;
5. Democratização dos meios de comunicação.
6. Educação pública e de qualidade;
7. Saúde pública e universal;
8. Contra a PEC 4330 (terceirização);
9. Contra os leilões do petróleo;
10. Pela Reforma Agrária;
11. Pelo fim do fator previdenciário.

A saúde Pública e Universal, penso eu, deve incluir o fim da omissão do SUS acerca da saúde mental. É inadmissível que o Brasil não reconheça a urgência dos portadores de sofrimento mental, que não existam profissionais da área nem preocupação de prevenir, diagnosticar e tratar este mal. É hora de sair da idade média psiquiátrica e combater o preconceito que ronda este tema.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Eu DIscuto Sim!

Não tenho o hábito da queixa, mas hoje fui parar no I. Cardiologia com 200X120 de PA.
Medi pressão, fiz eletrocardiograma, tomei remédio e, do nada, aparece um jornal sei lá qual.
Sei que tinha uma manchete idiota, mas fiquei quieta.
A manchete era qualquer coisa do tipo Dilma quer trabalhar como Felipão.
Não gosto de Felipão. Pode ganhar o campeonato intergaláctico, NÃO GOSTO.
E então uma pmulher olha a tal capa e diz: Ah, esta Dilma! Tomara que caia logo!
E eu claro que não aceitei,
e respondi:
Não vai falar da DIlma na minha frente"
E seu filho, imediatamente respondeu:
Política, religião e futebol não se discute.
- Mas foi tua mãe que começou, e eu discuto sim!
- Isto é um hospital e a senhora (eu) é mal educada!
Nunca entendi bem esta polidez de quem alfineta mas não quer ser furado.
E fiquei cantando, com toda a falta de ar de minha hipertensão,
o Hino do Internacional.
Coincidência ou não, logo fui atendida.
E eles ficaram com aquela cara de quem fala por muxoxo,
sem argumento nem convicção

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Altos e baixos

Depois da emoção das ruas, a fala  repugnante de  Freire
O mundo não é justo. Certo, já sabia disto desde pequena, mas hoje eu não precisava ter sido lembrada desta máxima.
Trabalhei durante o dia, pesquisei para o artigo que estou escrevendo sobre a falt de vagas para mulheres dependentes químicas, reuni com os outros participantes da comissão eleitoral do SINTRAJUFE (Vai que dá, Ramiro Lopes!) e fui para a manifestação.
Na mesma praça onde costumávamos protestar contra os ex-governadores que não recebiam trabalhadores, Yeda Crucius e Rigotto, encontrei e reencontrei muita gente. Quero, em outro momento, desenvolver a reflexão acerca da surpreendente renovação deste povo. Povo “povo”, estudantes organizados ou não, trabalhadores que levaram rosas, organizações pequenas e grandes, novas e antigas. Comentando esta surpresa com outros dinossauros, concordamos que o movimento sindical sempre reclama da falta de renovação de quadros. Mas que nem sempre os novos quadros são aceitos, trabalhados, preparados. Sei, sim, que praticamente todas as Centrais organizam e oferecem programas de formação e estimulam a participação. Mas é difícil ver um histórico do movimento sindical abrir mão de seu cargo para o recém-chegado. Existem exceções, para confirmar a regra.
Voltando do devaneio, participei de uma manifestação pacífica, com alguns poucos encapuzados, cerca de dez mascarados de Coringa. Ouvi bons e maus discursos, cartazes com as mais diversas e estranhas reivindicações. Um grupo carregava apenas bandeiras vermelhas, e me explicaram que ainda não tinham definido a ordem de suas propostas.
Cartazes pedindo o passe livre, a reforma política, fora Feliciano, fim da corrupção, mais saúde, mais educação, respeito aos direitos dos animais, legalização do aborto, fim do fator previdenciário. Descrevo a manifestação como uma catarse coletiva, colaboracionista, onde os diferentes sentiram-se iguais.
Saí da praça quando o Governador recebia uma comissão de manifestantes, ao som da banda que tocava uma música de Violeta Parra. Lembranças, emoções. Olhos molhados. Maravilhosa esta sensação que me visita e revive momentos mágicos do passado.
Chegando em casa, liguei a TV buscando alguma matéria.
E aí relembrei que o mundo não é justo. Porque quem estava na tela era Roberto Freire. O vendilhão, o neoliberal, o capacho de FHC. Aquele homem que, em 1986, quando eu era PCB me explicou que deveríamos tirar as foices e martelos das bandeiras para ter mais “influência” nos movimentos sociais.
Se eu não conhecesse sua voz, poderia fechar os olhos, ouvir e pensar: Mas Serra, ou Aécio, ou FHC radicalizou seu discurso! Apavorado com a inflação que retorna descontrolada, estarrecido com a corrupção, indignado com as péssimas condições de saúde, educação, o país que ele descreveu certamente não é o é o Brasil. Poderia ser a Espanha, a Grécia... Defendeu a não necessidade de filiação partidária para cargos eletivos... Não consegui ouvir mais. Direto para meus CDs. Violeta Parra, Mercedes Sosa. Antídotos razoáveis. Mas aquela emoção tão gostosa, as lembranças, talvez na próxima manifestação.
Mais tarde, pela TV, fiquei sabendo que saí minutos anates de começarem os tumultos.
Certamente subsidiados por quem não tolera povo nas ruas nem estabilidade, muito menos as notícias sobre a popularidade do Governo. Tipo o fascista Freire.
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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Sabedoria Sobrevive Sempre!

Nascemos para manifestar 
a glória do Universo que está dentro de nós.
Não está apenas em um de nós: está em todos nós.
E conforme deixamos nossa própria luz brilhar,
inconscientemente damos às outras pessoas
permissão para fazer o mesmo.
E conforme nos libertamos do nosso medo,
nossa presença, automaticamente, libera os outros.
                                     Nelson Mandela

                                   

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Porque os "autores" dos movimentos não querem mais adesões

Abri meu telefone, e lá estava, no Fb "Dia 1 de julho, Greve Geral". 
"Vamos mostrar quem é que manda neste país.! Mais de um milhão de pessoas convidadas, cerca de 100 mil confirmando. Não resisiti, fui olhar a página do Grevista solitário. Surpresa: Muitas frases e postagens dedicadas ao artista morto VChorão (Pô, mano, como tu te vai e deixa nóis)
Nada, nenhuma foto, frase, charge de alguma que lembre política. Só a "sacada" genial, Fiz uma postagem informando-o que para fazer greve, primeiro temos que arrumar trabalhadores. Depois, patrões. Mais tarde, uma lista de reivindicações n~qo respondida, ou até mesmo uma greve pol´[itica. Mas quem não trabalha nem estuda, vivendo numa espécie de vácuo social, estaria em greve ou férias?
EM segundos, minha pergunta estava apagada.
E estas páginas o Face não tira...
Mas afinal, este "sacode" foi providencial;
Porque agora Nós, os sindicalistas, as centrais sindicqais, os partidos políticos, o verdadeiro movimento social vai, sim, para a rua. 
Vai com bandeiras coerentes, justas. Que ótimo, TEMOS POVO na rua. E temos diálogo com Dilma.A pseudo extrema esquerda, que se diz mãe do movimento, a extrema direita que se diz pai, Estão e estarão ainda mais furiosas, frustradas, revoltadas. Com esta "gentalha" partidária, sindicalista, orgaqni\ada. O que eles planejaram, enfraquecer Dilma até derrubar um governo legitimamente eleito, quem sabe ao estilo paraguaio, quem sabae desgastando e apresentando um tucano pouco conhecido (e estes tucanos já tiveram bicos verdes, podem ter vermelhos), e depois o de sempre. 
Pois voccês, extremos que sempre se encontram e trabalham para o mesmo fim, acabaram dando aos verdadeiros movimentos sociais o que estava faltando: Povo na rua. Mas muito mais povo do que os rebelados de redes sociais, os lumpens que recusam qualquer inserção social e seus manifestos de apoio, assinados pelas extremas que no final sempre andam juntas.



sábado, 22 de junho de 2013

E Feliciano? E o PL4330/04? E a reforma agrária, urbana, etc...

Pois de 18/06, até hoje, madrugada de 22/06, conversei com muits pessoas, ouvi e li todo o tipo de teorias e prognósticos sobre o "povo que acordou" (Tinha gente dormindo?),  descrição qualitativa e quantitativa dos que transformaram um protesto em tese pacífico em tumulto e vandalismo.
Minha primeira pergunta ao abordar o tema foi invariável: 
- Quais são as bandeirs de luta?
Ouvi dezenas de respostas. Muitas delas se referiam à corrupção no país. O mensalão. Ok, também sou e creio, que, menos quem se locupleta com a corrupção, contra ela. Mas e as outras e incontáveis "corrupções" de antes, quem lembra? Das privatizações, por exemplo? Do tempo em que se dizia que o serviço público era um elefante branco e deveria ser desmontado? Da venda da Vale, quem lembra?
Mais respostas: A Copa do Mundo. É este o moivo, então? 
Da saúde pública. Ah, este motivo eu endosso. Seja a cargo do Estado, da Federação ou municipalizada, a saúde é ignorada, não há vagas, não há especialistas, não há tratamento preventivo. Pois é, mas mesmo assim uma parcela considerável dos autoproclamados formadores de opinião se opõem ferozmente à vinda dos médicos formados pela ELAM, Cuba. 
E as respostas começaram a escassear. Lembrei do fascista Feliciano, transformando pessoas sadias em doentes só por causa de quem elas amam. A maioria concordou.
Lembrei das reformas. Quais? Expliquei.
Concordaram.
Mas quando lembrei que temos pela frente a ameaça de um pl que pode acabar com o serviço público, por permitir a terceirização de sua atividade-fim, acharam muito complicado. 
E aí estamos nós, trabalhadores, com esta batata quentíssima nas mãos. Uma manifestação de trabalhadores contra este pl hoje será notado por alguém?
É, ninguém afirmou que manter a direita apenas irritada pensando em como dourar um Aécio para 2014 serpa fácil. Mas, penso eu, se alguém dormiu, não foi o povo. 
Nós é que não soubemos prever os pesadelos.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

terça-feira, 18 de junho de 2013

O que eu não vi ontem

Protestar, opinar, lutar são direitos de todos nós, inclusive de quem, por opção ou coerção, desiste dele. Foi protestando que tremi de medo pixando "abaixo a ditadura", que chorei de tristeza quando a emenda Dante de Oliveira foi derrubada, de esperança nos comícios pró-Diretas Já! Chorei de raiva quando o sem-noção presidencial nos pediu para vestir verde e amarelo, e saí de preto dos pés à cabeça.
Protestei contra a venda da Vale, das privatizações, por um ano me concentrei na luta contra a ALCA. Chorei, bebi, fiz muita festa quando o dia nasceu feliz e Lula finalmente chegou lá. No poder? Não, no palácio. É bem diferente.
E apesar de bem diferente o tsunami varreu as economias de arrogante auto-proclamado primeiro mundo, enquanto a marola molhou nossos pés. Não sou economista para enumerar dados e gráficos, falo do que vivo.
De um Brasil que não resolveu a crise da maneira que eu, ambientalista gostaria: Ao contrário, incentivou produção e consumo, e se é verdade que nosso trânsito é um caos, o desemprego, que eu saiba, está entre os menores de nossa história. Um Brasil que não estatizou as universidades privada, mas onde pobre pode e estuda, e cursa universidade, mestrado, doutorado. Que tirou da linha da miserabilidade nem sei quantos milhões. Brasil onde assalariado pode comprar casa, autônomo tem conta em banco e crédito e não deve mais ao famigerado FMI. Que tem a inflação mantida sob rédea curta, e que cresce. As hidrelétricas? Também não me agradam. Mas me agrada menos a falta de energia. Existem alternativas eficientes.
Foi do jeito que sonhamos? Não. Tudo o que eu falei é verdade, mas também é verdade que o capital financeiro deita e rola, que a saúde é um desastre, que temos polícia&políticos corruptos. E ainda um homofóbico fascista admitido para tratar de direitos humanos.
O transporte público sempre foi um dos maiores desafios urbanos. Porque quanto menos poder aquisitivo, mais longe o trabalhador mora. Mais gasta, mais tempo emprega. E os empresários do setor, como bons capitalistas que são, tem a ladainha na ponta da língua: Querem isenções fiscais, reclamam dos "altos” salários, da manutenção. Propõem que o MEC banque a meia passagem para estudante e a previdência a isenção dos aposentados!
Tá certo o povo que foi para as ruas reclamar da tarifa. Tá certo quem pintou seu cartaz com “Eu quero uma saúde melhor”.
Mas não venham me ninar com a canção de movimento espontâneo. Como se fosse crível que, de repente, juntam-se pessoas e resolvem protestar pela passagem, alguém lembra saúde, outro corrupção e aí, lógico, da DIlma. Que parece ser a causa de todos os males do país. E quem não tinha nada para fazer aproveita o tempo livre para cobrir o rosto e depredar o que vier pela frente.
Os manifestantes que ocuparam as ruas ontem hoje ocuparam redes sociais. Garantem que o grupo que consideram “infiltrados” não passa de 2%. Que as pessoas estão indignadas por tudo o de podre, miséria, corrupção, fome, desemprego, querem mais saúde (eu também), mais educação (eu também), mais dignidade (todos nós). Não vi as faixas pedindo reforma agrária, urbana, política.
Ontem, aqui em Porto Alegre, passei pela manifestação, observei por um tempo. Dizem que a juventude está farta dos partidos políticos? Errado, vi um razoável número de bandeiras.
O que eu NÃO vi foram faixas de ambientalistas pedindo usinas eólicas, mães pedindo mais creches, vítimas dos juros abusivos pedindo a baixa dos juros.  Não vi os índios que estão perdendo suas terras, nem as vítimas da violência urbana reclamando por mais segurança.
Por volta de meia noite, encontrei o primeiro manifesto em uma rede social. Adivinhem: A juventude do PSDB, dando todo apoio aos manifestantes. Depois, declarações de militantes da esquerda muito esquerda. E, claro, notícias tingidas com os tons da imprensa reacionária.

O que me preocupa, enfim, não são as lixeiras queimadas ou marginais infiltrados. Preocupa saber até onde esta massa indignada está servindo de ferramenta para a direita, indignada com os níveis de aprovação de Dilma. Preocupa o surgimento de um novo salvador (lembram Collor?) que livre o país das arruaças e ameaças. Dos comunistas, quem sabe. Que acabe com esta mistura de miseráveis e filhos de boas famílias nas universidades, e tudo volte, outra vez ao seu lugar.