segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Funk é Música?

Quem já passeou pelo blog já encontrou algumas postagens do “Música para Sábado”.
Rock progressivo, blues, MPB, um que outro pop.
Confesso não ser muito eclética, ao mesmo tempo em que sou tolerante com os gostos musicais alheios. Não gosto de pagode, mas não me incomoda. Não gosto de sertanejos, mas escuto. E por aí vai.
Entretanto, um (será?) gênero musical tem me incomodado bastante: O funk.
Os funk's, com suas letras picantes e danças mais ainda, penso eu, não distraem nem ajudam. Ao contrário, são manifestações grotescas do machismo, da homofobia, do racismo e do crime. Que considero extremamente perniciosas, por seu conteúdo, por suas letras. Que me agridem enquanto educadora, mãe, mulher e cidadã.
Sei que "na rua" o funk faz sucesso. Que existem profissionais deste setor, que alguns chegam mesmo a considerá-lo manifestação popular.
Por razões outras, ontem participei de uma atividade onde este foi o ritmo predominante. Presentes no local, crianças, adolescentes adultos.
A pobreza das letras é tamanha que consegui copiar trechos de alguns. E jogo na rede a pergunta: Quais conceitos de ética, de cidadania, de solidariedade, este movimento acrescenta a quem ouve?
O que fazer com esta onda que toma conta de rádios, bailes, festas, comunidades?
Certamente, a restrição da difusão seria encarada como censura, inadequada ao século XXI. O que fazer, então, com “músicas” como as que, mesmo constrangida, reproduzo abaixo?

(Todos os trechos abaixo rodam em rádios comerciais legais. Existem outras peças, imensamente mais agressivas, passadas por bluetooth, gravadas em estúdios caseiros, divulgadas pela rede.)

"E agora, eu vou dizer o teu direito, teu direito é de sentar (repete) teu direito é de descer (repete) desce aí, novinha, mãos para o alto, novinha, teu direito e de sentar e rebolar e ficar caladinha, ou porrada vai te pegar).

"Conhece a festa da Paula? é Paula dentro, Paula fora, (repete) e eu já tô com ela  durinha e tu tá bem molhadinha"

"Vai tirando a calcinha que eu já Tô de camisinha, ... levanta minha sainha... agora tira meu sutiã..."

"Não é prostituta, não é amante, é a substituta quando a mulher teima que não quer"

"Vou brincar com minha... e você brinca com sua.... "

Certamente este post gerará discórdia. Ao criticar abertamente uma onda que gera muito, muito dinheiro, que promove seus autores, executores e promotores, exponho a fragilidade de nossa produção cultural, que não consegue, apesar dos Justin Bibbers e Pagodes e sertanejos universitários, atrair nossa juventude.
Exponho a fragilidade de nossa educação. De nossa sociedade do prazer efêmero e da desumanização da raça humana. Que consegue lucrar até mesmo com o incentivo à violência sexual, ao machismo, à degradação, ao crime.
Sinto-me ao mesmo tempo constrangida e aliviada ao fazer este comentário. 

4 comentários:

Erica Fernandes disse...

Regina... Compartilho do seu constrangimento e dos questionamentos que levantou aqui. Além de tudo o que elencou eu fico por entender, como é que a mulher depois de lutar por sua igualdade e por direitos mais humanos pode escolhe ainda ser objeto sexual dos mais vis nesse 'movimento' do funk. Não entendo como algo assim tem lugar nos dias de hoje! As letras são grotescamente explícitas e já ouvi pessoas colocando pros filhos ou alunos ouvirem como se fosse coisa ingênua e brincadeira... Que fazer para proteger nossas crianças?!

koisarada disse...

Não se combate preconceito com preconceito.
Funk é música, sim.
Essas letras em questão no blog, foram extraídas de uma variação conhecida como miami beat , o popular pancadão, também conhecido como funk carioca.
Mas nem todas as letras são iguais, ou exploram a sexualidade.
O problema de fato está na seleção que os veículos de comunicação fazem, deixando na penumbra bons artistas e exaltando a mediocridade.
Apesar da boa intenção do texto, é perceptível o desconhecimento sobre o tema.
Big Boy e Ademir, Parliament Funkadelic, Africa Bambataa, Black Box, James Brown, Ladi Zu, Gerson King Combo, Cidinho e Doca são alguns dos nomes que acabam sendo injustiçados quando se generaliza num texto que dá a entender que "funk é tudo igual".

Ceres Marcon disse...

Admitindo que exista o "bom funk", o problema continua.
O problema não está nas rádios, está em uma coisinha que ninguém lembra que existe, ou poucos lembram, FAMÍLIA.

Heverton Lacerda disse...

Regina, acho que cabe ressaltar que alguns outros estilos musicais também também cometem excessos. Cito a nossa musica tradicionalista gaúcha como um exemplo. "Mulher pra mim é como redomão: Maneador nas patas, pelego na cara."
Claro que existem as boas letras também. Abraço